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Bacellart

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Estupro Pai Irmão Tio Padrasto Conhecidos…

 

Nesses anos em minha prática clínica, as pessoas que atendi, que num misto de emoções constrangedoras diziam “fui estuprada”; e por volta dos dez anos de idade, ocorria geralmente por pessoas da família ou conhecidas. Estas pessoas ficaram profundamente marcadas pela quebra de confiança nos outros e na vida. Pela minha experiência, com a maioria das analisandas que cuidei, darei continuidade ao artigo, exclusivamente para casos onde o doente mental / criminoso, é membro familiar. Ser estuprada é realmente um crime hediondo. Causa sérios prejuízos emocionais à vitima; sobretudo pelo vínculo afetivo muito próximo.

© Copyright – Bacellart Psicólogo USP  experiência online – O ensaio aqui publicado pode ser reproduzido, no todo ou em parte, desde que citados o autor e a fonte. 

 

 Na maioria das situações, outras semelhanças, são:

 

1) Não buscaram Justiça quando adultas (denúncia) / Não guardam forte rancor com o criminoso:

Parece haver uma defesa de não trazer um assunto tão doloroso à tona. É uma situação muito delicada: falar é dolorido; não falar segura a dor. Nas pessoas que atendi, provavelmente por serem adultas, o tempo-distância do abuso-sexual ocorreu há cerca de vinte anos, o que faz com que a dor esteja “amenizada”; e por mais que o estupro seja um crime hediondo, de alguma forma essas mulheres conseguiram não nutrir ódio pelo agressor, nem ficam nutrindo uma forma de o levarem a julgamento. Essa é uma questão complexa (denunciar ou não? E como provar? ou ao menos anunciar a família?): eu acredito que é importante fazer algo, pois o abusador pode repetir com outras crianças.

Enfim, do meu ponto de vista, de quem cuida, a situação indica que esse “perdão” da vítima do estupro, ao menos a deixa levar a vida de uma forma que não a perturbe tanto; inclusive nenhumas das que atendi pensava em levar qualquer tipo de denúncia adiante.

 

2) Atualmente não tem problemas para relação sexual:

Ao contrário do que eu imaginava, ao menos todas que eu atendi, não havia problemas em relações sexuais. Mas havia uma desconfiança enorme na relação afetiva e social.

 

3) Silêncio sobre o ocorrido:

A criança, de modo geral, sente, de alguma forma, que o que fez (fizeram com ela, o ato que participou, ter sido estuprada), é errado, foi dito para não relatar a ninguém, por vezes com alguma ameaça; e a criança, por imaturidade, por medo (de quem a abusou e/ou dos pais se irritarem com ela), por sentir-se responsável (mesmo sem ser). Pode passar toda a vida sem comentar com os pais; sem nunca; uma única vez sequer, dizer “fui estuprada”, e com homens parece ser mais vergonhoso.

 

4) Quando os pais sabem e nada fazem:

Já escutei relatos de pais que tiveram conhecimento, mas em nome de manterem “a boa convivência familiar”, “evitar o escândalo” (entre pouquíssimas pessoas), e/ou por não terem capacidade de enfrentarem a situação de uma forma mais adulta: conversando com a criança, chegando em acordos com os envolvidos (corte radical do contato), algum tipo de punição, inclusive na Justiça.

Por vezes, o que mais pode marcar a criança estuprada (quando o estupro foi revelado), é o fato de os pais não terem tomado nenhuma atitude.

 

5) Culpa:

Por mais estranho que possa parecer, apesar de ficar marcada com essas palavras “fui estuprada”; sofreu abuso sexual, pode sentir-se culpada com o que aconteceu. Uma situação onde envolve um adulto e uma criança, sente-se de certa forma responsabilizada. Isso provavelmente ocorre, pois uma criança sente que ela é o centro da vida, ela sabe que participou de algo errado, associa ‘ser o centro’ com errado, e sente-se culpada. Claro que quando adulta ela consegue discernir que não foi a culpada, mas é uma marca tão forte, que é difícil de se livrar.  Baixa autoestima: A culpa fez com que a autoestima ficasse comprometida para baixo, pois nessa situação do imaginário infantil (de que tudo diz respeito a si); por mais absurdo que possa parecer, essa situação a deixou sentindo-se errática, como uma bandida.

 

6) Confiabilidade no outro, na vida:

A confiança da criança na vida, nos outros e até nela mesma, naturalmente fica abalada. Uma pessoa de convívio tão ao lado; pai, irmão, tio, padrasto, conhecido; fez coisas hediondas com ela(e), a(o) ameaçou se dissesse, a(o) deixou com medo. Isso repercutirá em toda sua vida, afinal, confiança é também sinônimo de esperança. Quantas relações, situações dependem de confiança?… E essa insegurança gerará ansiedade.

Desejo fortemente que situações como está vá diminuindo!!!

 

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