O Grupo de Estudos para Psicólogos Iniciantes nasceu da necessidade de criar um espaço de troca genuína, acolhimento e amadurecimento na prática clínica. Inspirado nas perspectivas winnicottiana e existencial, o grupo se reúne em encontros semanais presenciais na Av. Paulista ou online para refletir sobre temas fundamentais da psicologia, compartilhar experiências e desenvolver a confiança necessária ao trabalho terapêutico.
Desde o início da minha trajetória como psicólogo, percebi que uma das maiores dificuldades para quem está começando na clínica é encontrar um espaço de troca, acolhimento e crescimento mútuo. Por isso, decidi criar e coordenar um grupo de estudos para psicólogos iniciantes, com base nas perspectivas winnicottiana e existencial. Este projeto é, para mim, uma extensão do meu trabalho clínico, mas também um convite para que outros profissionais se apropriem de sua forma de cuidar, construir sentido nas relações e amadurecer como terapeutas.
Nosso grupo se reúne semanalmente, com encontros que acolhem até oito psicólogos. Ele acontece presencialmente, em meu consultório na Av. Paulista, em São Paulo, para quem mora na capital, e também online, para que pessoas de outros lugares possam participar. Essa flexibilidade tem permitido a construção de uma comunidade rica, com diferentes olhares e experiências.
Minha escolha por Winnicott não foi casual, teve relação a pontos em mim, na época que não estavam bem desenvolvidos. Para ele, o amadurecimento emocional depende de um ambiente suficientemente bom, capaz de sustentar o indivíduo em seus momentos de vulnerabilidade. Essa ideia, profundamente humana, dialoga com a existência como algo relacional e com a responsabilidade que temos pelo cuidado do outro e de nós mesmos. Ao integrar essas visões, acredito que conseguimos pensar a clínica de forma mais viva, reconhecendo as nuances das relações e a singularidade de cada analisando.
A psicologia existencial amplia esse olhar, pois nos convida a refletir sobre a construção de sentido no viver, sobre a liberdade, os limites e o peso das escolhas. Ela nos ajuda a enxergar as relações como espaços de descoberta, confiança e empatia valores que norteiam cada encontro do grupo.
A cada semana, nos reunimos em um círculo de troca horizontal, onde todos podem falar, perguntar e propor reflexões. Eu coordeno os encontros, mas não sou o “dono” do saber. Meu papel é facilitar a construção coletiva, para que cada participante se sinta à vontade para compartilhar dúvidas e experiências clínicas.
Os encontros acontecem sempre às segundas-feiras, das 10h às 12h30, ou aos sábados, das 12h30 às 15h, dependendo da demanda e da disponibilidade dos integrantes. Optamos por encontros de duas horas e meia, pois percebi que esse tempo é ideal para aprofundar os temas sem a pressa que muitas vezes vemos em cursos ou grupos de supervisão.
Um aspecto que considero essencial é a eleição do tema da semana seguinte. No final de cada encontro, decidimos juntos sobre o que iremos estudar. Além disso, indico leituras complementares que ajudam a expandir os conceitos e gerar novas discussões. Essa dinâmica cria um ritmo orgânico, onde o grupo avança de acordo com as necessidades reais dos participantes.
Os temas variam conforme o interesse do grupo, mas alguns aparecem com frequência pela importância que têm na clínica e na vida do psicólogo:
Amadurecimento emocional e o conceito winnicottiano de holding.
Sentido nas relações e o papel do encontro humano na existência.
Acolhimento, confiança e empatia como fundamentos para o vínculo terapêutico.
O papel da criatividade na clínica e no desenvolvimento do self.
Liberdade e responsabilidade na relação com o analisando, inspirados pela visão existencial.
Acredito que esses temas não são apenas teóricos. Eles estão presentes em cada sessão que conduzimos e, por isso, precisam ser sentidos e vividos no grupo. Muitas vezes, uma reflexão compartilhada por um colega se transforma em um insight para outro, o que fortalece o crescimento coletivo.
Desde o início, decidi que o grupo teria uma estrutura horizontal, onde ninguém é mais importante do que o outro. Todos participam da forma como desejarem, e não há obrigação de expor questões se alguém não se sentir confortável. Esse formato cria um clima de confiança e acolhimento, algo que considero essencial para que possamos explorar temas delicados e profundos sem receio de julgamento.
Além disso, há um aspecto prático que enriquece muito a experiência: a possibilidade de contato com o analisando entre consultas, sempre que isso se mostra necessário. Discutimos, por exemplo, quando e como o terapeuta pode se posicionar para oferecer suporte fora do setting tradicional, sem perder os limites éticos.
Outro ponto que me motiva é oferecer aos participantes do grupo a chance de atuarem em meu projeto social, chamado “Arvorecendo-nos”. A ideia é simples, mas transformadora: proporcionar atendimento psicológico a pessoas que não teriam condições de pagar por uma psicoterapia tradicional. Dessa forma, os alunos podem atender analisandos reais, com supervisão, colocando em prática os conceitos discutidos nos encontros.
Esse projeto, além de oferecer um serviço social relevante, permite que os psicólogos iniciantes se desenvolvam com experiência real, o que é muitas vezes difícil de encontrar nos primeiros anos de carreira.
Como o grupo é limitado a oito psicólogos por turma, faço uma pré-seleção dos alunos. Não se trata de um processo burocrático, mas de um breve contato para entender as expectativas, a disponibilidade e a relação do candidato com a abordagem winnicottiana e existencial. Essa triagem garante que o grupo seja formado por pessoas comprometidas e interessadas em trocar experiências de forma genuína.
O formato com até oito integrantes permite uma profundidade maior nas conversas. Em grupos muito grandes, percebo que algumas vozes se perdem ou que há menos tempo para discutir questões clínicas com a atenção que merecem. Prefiro encontros mais intimistas, onde cada pessoa possa ser ouvida, e onde possamos construir vínculos de confiança ao longo das semanas.
Embora os encontros presenciais no meu consultório próprio na Av. Paulista sejam muito especiais, sei que nem todos podem se deslocar até São Paulo. Por isso, mantemos também a versão online, que tem funcionado de maneira surpreendentemente acolhedora. Acredito que a tecnologia, quando usada com sensibilidade, pode aproximar pessoas e facilitar o aprendizado, sem perder a essência humana que buscamos. Se for o caso de aula presencial, posso ligar a câmera para os de fora participarem.
Sinto que este grupo não é apenas um espaço de estudos, mas uma oportunidade de crescimento humano. A cada semana, saio dos encontros com a sensação de que aprendi algo novo seja sobre Winnicott, sobre a clínica ou sobre mim mesmo. Ao coordenar, também me coloco no papel de aprendiz, porque acredito que o amadurecimento do psicólogo nunca é um processo individual, mas algo que se constrói nas relações.
Se você é um psicólogo iniciante e sente que precisa de um espaço para trocar, aprender e amadurecer na prática clínica, deixo aqui o convite para conhecer nosso grupo.
Os encontros acontecem em um clima de respeito, empatia e escuta verdadeira. Cada tema escolhido nasce de uma necessidade concreta dos participantes, e isso dá um sentido muito maior ao nosso trabalho conjunto.
Quando criei este grupo de estudos foi uma forma de unir o que acredito ser essencial na psicologia: o olhar atento ao outro, a construção de confiança e a busca por um sentido maior na existência. Minha intenção é que cada participante saia não apenas com mais conhecimento teórico, mas também com uma compreensão mais profunda de si e do seu papel como terapeuta.
Acredito que, juntos, podemos cultivar um espaço fértil de aprendizado, acolhimento e transformação para nós, psicólogos, e para aqueles que atendemos.
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