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Somos nossas escolhas? Artigo Decisão em si-mesmo Bacellart Psicólogo

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Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

Somos nossas escolhas?

1pt do artigo científico ‘Decisão em si-mesmo’:

[…] o ser … tem o mesmo problema central identificado por Winnicott e Heidegger

como o problema do sentido do ser […].  (Loparic, Z. P 41 – 1995). 1

Resumo:

 O trabalho se propõe a analisar o processo de tomada de opções pelo ‘indivíduo mediano’, tendo como ponto de partida a contraposição entre critérios popularmente assimilados e a revisitação, detalhada, do conceito de escolha e suas possibilidades. Visa apresentar a denominada pelo autor, a ‘Tríade do Indivíduo’, composta pela Psique/Sentido, pela Corporeidade e pela Concretude. As orientações teóricas gerais foram pautadas em tendo como base as propostas D. W. Winnicott e Heidegger. Sustenta-se, ainda, que há prevalência dos afetos e que apenas um indivíduo maduro e em íntima compreensão de si-mesmo no equilíbrio do corpo e favorecimentos concretos, consegue alcançar a necessária abertura de possibilidades para uma decisão estruturada. Enfim, “somos nossas escolhas?”.

 

Introdução:

Em nossa cultura vigoram concepções populares, assimiladas pelos indivíduos que se entendem ‘livres’, tais como “as pessoas são suas escolhas” e que é possível ter-se poder e controle absolutos para determinar ‘racionalmente’ o que sentir ou pensar ou realizar, e isso em todos os âmbitos. Candidamente se ignora o fato de estar essa pretensa opção subordinada a outros fatores constitutivos de todos os indivíduos: afetos, equilíbrio da corporeidade e sua concreticidade.

No intento de demonstrar o que fundamenta uma pessoa para que seja capaz de uma decisão estruturada, parte-se da proposta representado pela questão: o que acontece para que um indivíduo escolha repetir (por anos) uma conduta que já compreendeu ser-lhe prejudicial? Exemplos colhidos no cotidiano popular apontam para alguém que “dá murro em ponta de faca”, por exemplo que tem pouca ou nenhuma capacidade para negar um pedido, que não sente ânimo para fazer algo qualquer. Como se toma como possível que um indivíduo, arrogando-se o poder sobre si mesmo, faça  ‘escolhas’ insalubres em seu próprio pensar?

O que se percebe é que absolutamente ninguém escolhe ser lesado, aqui inclusos os casos psicopatológicos, porque o que sempre se almeja é o oposto: o benefício. Pode-se admitir que alguém opte por algo perverso para outros entes – se lhe fizer sentido – mas a mórbida decisão não seria para si.

A crença na posse de ‘certezas’, o pragmatismo, as morais, os ‘guias’ dos mais diversos pensadores e muito influenciam os nossos ‘juízos’, revelam o seu sentido geralmente bem parcial e apresentam poder em nossas opções.

Assim sendo, uma escolha frágil, opção ou decisão estruturada do que aqui se denomina ‘Tríade do Indivíduo’, que intercala as seguintes sugestões: Psique/Sentido (que aqui será a prioridade), Corporeidade e Concretude e questões que com ela se relacionam, como: Judicialidade, as Morais e o Cuidado de si.

     O caminho percorrido levou às questões de Winnicott e Heidegger, de forma sucinta e sempre tentando manter o sentido delas:

[…] Winnicott aproxima-se de um modo de pensar a natureza humana que é muito afim às concepções

pós-metafísicas de Heidegger presentes em Ser e Tempo, podendo a teoria de acontecência

desse filósofo iluminar a compreensão dos elementos ontológicos que compõe a teoria Winnicottiana. (Santos, E. – 2010) 2.

     

Esses elementos ontológicos, entendidos aqui como os modos ais quais somos; dois pontos como exemplos: a temporalidade, segundo a qual o indivíduo é acontecido, acontecendo e acontecerá, e que ocorrem concomitantemente; e a angústia de sermos na finitude e na necessidade de sentido existencial.

 Importa dizer que, a respeito do indivíduo, usarei o termo jurídico ‘homem médio’; aquele considerado ‘responsável’ ou, ‘aquele que responde’ aos seus afetos, pensamentos e atos, de conformidade com a etimologia francesa do termo.

A utilização do termo Psique se justifica pela referência basilar na psicanálise Winnicottiana, levando em conta como aquela se desenvolve e como ela é, englobando o ‘inconsciente’ (o não compreendido de si mesmo), e ‘defesas’ contra e/ou reativas a uma perturbação).

No que tange ao sentido, é a fenomenologia existencial, sobretudo Heideggeriana o fundamento, como sentido da existência relacional consigo, com todos e com tudo; além do horizonte ao qual se projeta. Uma proposta complementa a outra.

O que norteia esse artigo será, por vezes, a tentativa de conciliação com visões que lhes seriam ‘complementares’; do mesmo modo, houve uma abertura a outras breves contribuições advindas das teorias comportamentais (como a necessidade de hábitos e regularidade no agir) e da medicina (o corpo) e da sociológica (necessidades semelhantes de povos sem nenhum contato externo), que ajudaram a ampliar o entendimento.

 

[…] Winnicott aproxima-se de um modo de pensar a natureza humana que é muito afim às concepções
pós-metafísicas de Heidegger presentes em Ser e Tempo, podendo a teoria de acontecência desse filósofo iluminar
a compreensão dos elementos ontológicos que compõe a teoria Winnicottiana. (Santos, E. – 2010).

     

Importa dizer que, a respeito do indivíduo, usarei a expressão ‘homem médio’ da teoria de Quételet, assim considerado aquele que é ‘responsável’, ‘aquele que responde’ aos seus afetos, pensamentos e atos, conforme a etimologia francesa do termo. Há também um questionamento proposto, mas não explicitado, com as devidas proporções, ‘criança e adolescente médio’.

A utilização do termo psique se justifica pela referência basilar da psicanálise Winnicottiana do paradigma do amadurecimento, levando em conta a proposta Lopariciana da mesma. No que tange ao sentido, é a fenomenologia existencial, sobretudo Heideggeriana, o sustentáculo, como no existir relacional consigo, com todos e com tudo, e além do horizonte ao qual se projeta.

 

Artigos Relacionados:

Introdução: Decisão em si-mesmo 

2) Como somos?

3) O que é Moral? 

4) Cuidar de si é egoismo? 

 

 

Somos nossas escolhas? Artigo Decisão em si-mesmo

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