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Grupo de Estudos em Psicologia e Supervisão, Filosofia Fenomenológica.

Grupo Discussão para Psicólogos Iniciantes – Bacellart, atuo há 31 anos.

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Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

Grupo de Estudos em Psicologia e Supervisão, Filosofia Fenomenológica.

Minha visão sobre a necessidade do grupo:

Entendo que, desde os primeiros passos na clínica, a maior busca do psicólogo iniciante é por um espaço em que possa se sentir sustentado em suas dúvidas e descobertas. A minha perspectiva é que crescer como terapeuta não se dá de forma solitária, mas relacional. Proponho que pensemos, portanto, esse processo de amadurecimento como dependente de algo semelhante ao que Winnicott chamou de “ambiente suficientemente bom”: um espaço em que possamos existir com nossas inseguranças iniciais, sem a necessidade de disfarces. Nesse sentido, percebo que meu papel, ao coordenar encontros como os de um grupo de estudos, não é ocupar a posição de quem sabe, mas oferecer esse enquadre de sustentação e troca. Grupo Discussão para Psicólogos Iniciantes.

Winnicott e o amadurecimento emocional

O ambiente suficientemente bom

Minha visão é que a psicologia existencial, inspirada em Heidegger, complementa essa ideia ao nos lembrar que a existência se realiza sempre em relação, sempre em abertura para o mundo. Quando penso nos encontros semanais, percebo que se cria ali justamente essa disposição de um estar-com, como se cada palavra ou silêncio abrisse a possibilidade de compreendermos não apenas conceitos teóricos, mas a experiência viva do ser terapeuta.

A criatividade como experiência clínica

Proponho que o amadurecimento emocional, tão central em Winnicott, se concretize nesses círculos de fala e escuta. É no contato com os colegas que as lacunas se tornam férteis, e as incertezas, quando compartilhadas, abrem a chance do crescimento. Assim como o bebê necessita do holding — essa sustentação prática e afetiva que possibilita a continuidade do ser —, compreendo que o psicólogo que inicia seu caminho também precisa dessa rede de sustentação simbólica.

A psicologia Humanista no grupo –

Ser-com e abertura ao mundo

Entendo ainda que a perspectiva existencial nos ajuda a pensar sobre liberdade e responsabilidade. Quando Heidegger fala do ser-no-mundo, destaca sempre a abertura do existir: somos lançados, mas também somos convocados a assumir escolhas.

Liberdade e responsabilidade no encontro clínico

Na vivência clínica, isso se traduz quando o psicólogo percebe que não há respostas prontas, apenas a tarefa constante de inventar sentidos com cada analisando. Nos grupos que coordeno, proponho que se reflita sobre essa responsabilidade, não como peso ético ou moral, mas como condição inerente da existência. Estar diante do outro é sempre estar implicado em sua liberdade e na nossa.

Estrutura e dinâmica dos encontros –

Tempo e qualidade da troca:

Minha visão é que não basta decorar conceitos sobre amadurecimento, criatividade ou vínculos. No grupo, buscamos experimentar esses conceitos. Quando alguém compartilha a angústia de não saber como acolher o silêncio de um paciente, o grupo responde não oferecendo receitas, mas abrindo perguntas: “como é estar diante desse silêncio?” ou “o que esse momento desperta em você?”.

Horizontalidade e confiança:

Proponho encontros de duas horas e meia porque entendo que o tempo é necessário para que um fluxo mais profundo se estabeleça. Entre psicólogos iniciantes, isso se torna ainda mais evidente, porque a ansiedade por resultados imediatos muitas vezes aparece. O espaço com tempo ampliado permite diminuir a pressa e sustentar a experiência de estar juntos.

© Copyright – Bacellart Psicólogo experiência USP online – O ensaio aqui publicado pode ser reproduzido, no todo ou em parte, desde que citados o autor e a fonte. 

Experiência prática e projeto social –

Arvorecendo-nos como extensão do grupo:

Minha visão é que a própria estrutura de horizontalidade do grupo é fundamental. Winnicott mostrou que o indivíduo se constitui não isoladamente, mas na relação com os outros. Heidegger falou do ser-com como estrutura inevitável da vida. Proponho que o grupo, então, não tenha hierarquia rígida: cada voz tem o direito de existir e cada silêncio também. Assim se cria a confiança suficiente para que dúvidas frágeis possam ser trazidas sem medo.

Grupos pequenos e intimistas:

Proponho também que a inserção no projeto social “Arvorecendo-nos” ofereça um prolongamento desse aprendizado. Entendo que atender pessoas que não teriam acesso à psicoterapia tradicional coloca o psicólogo iniciante em contato com a realidade da clínica de maneira intensa, mas sempre sustentada por supervisão.

Modalidades de participação –

Presencial em São Paulo e/ou online:

Minha visão sobre a escolha de até oito integrantes é simples: quando os grupos se tornam muito grandes, certas vozes desaparecem. Proponho que o espaço seja íntimo, para que cada pessoa seja realmente escutada.

Entendo ainda que a modalidade online não diminui a potência do grupo. Proponho que a tecnologia seja vista não como barreira, mas como ponte. Muitas vezes, escuto que a presença física é insubstituível, e de fato ela tem sua força própria. Mas percebo que, mesmo online, quando o grupo se dispõe à escuta e à presença verdadeira, cria-se um espaço de acolhimento tão consistente quanto o presencial.

Uma experiência de crescimento coletivo:

Minha visão final é que esses encontros não são sobre acumular teorias, mas sobre vivê-las. Quando saio de cada reunião, percebo que aprendi algo novo não só sobre Winnicott ou Heidegger, mas sobre mim mesmo como terapeuta. Proponho que essa seja a verdadeira meta de um grupo de estudos: não produzir especialistas em conceitos, mas pessoas mais abertas ao outro, mais criativas em sua prática, mais enraizadas em sua própria forma de ser psicólogo.

Grupo Discussão para Psicólogos Iniciantes.