Especialista em Relacionamento Afetivo:
A questão amorosa é, sem dúvida, a que mais traz terapeutizandos (pacientes) para a psicoterapia. Em mais de 30 anos de prática clínica e com a bagagem do meu doutorado na USP, percebo que a grande busca não é apenas por “amor”, mas por algo que sustente esse amor: a maturidade.
Neste artigo, escrevo para você, independentemente de sua idade, gênero, orientação sexual ou classe econômica que busca construir ou transformar sua vivência a dois em um relacionamento maduro e, consequentemente, mais saudável. Afinal, na psicologia profunda, maturidade é sinônimo de saúde.
Muitos me perguntam no consultório: “Como ter um relacionamento maduro?”. A resposta não é mágica, mas é construída. Vamos entender como isso funciona, unindo a prática terapêutica a grandes pensadores como Winnicott, Heidegger e Fromm.
© Copyright – Bacellart Psicólogo USP. O ensaio aqui publicado pode ser reproduzido, no todo ou em parte, desde que citados o autor e a fonte.
Uma relação madura, afinal, o que a define,?
É preciso estar disposto a cuidar e, fundamentalmente, abrir-se para também ser cuidado. É uma via de mão dupla que exige que ambos se responsabilizem pela relação.
Eu costumo definir o Relacionamento Afetivo Saudável de uma forma que vai além do senso comum. Gosto de descrevê-lo como: “querer bem (afeto e cuidado) somado à relação sexual”. Isso se assemelha ao conceito grego de Storge, um tipo de amor onde o casal está satisfeito consigo mesmo e a relação tem como base quatro pilares:
- Conhecerem-se bem; confiança mútua; afinidades reais; estabilidade e equilíbrio.
É um convívio diferente do amor fraternal, do amor por um ideal ou por um objeto. É um encontro de dois “inteiros” que decidem caminhar juntos.
Perguntas Frequentes sobre Amor e Maturidade (FAQ)
Como psicoterapeuta, selecionei as dúvidas mais comuns que recebo e que ajudam a entender a dinâmica de um casal saudável.
Amar é suficiente para garantir um relacionamento saudável?
Não. Amar não é garantia de convívio maduro. Muitas pessoas se amam profundamente, mas não conseguem se relacionar de forma saudável. Como nos ensinou Erich Fromm (psicanalista e sociólogo), o amor não é apenas um sentimento, é uma arte que requer conhecimento e esforço. Fromm dizia: “Amor é composto por maturidade, autoconhecimento e coragem”. E acrescentava que amar exige disciplina, concentração e paciência. Sem esses ingredientes, o sentimento, por si só, não sustenta a relação diante dos desafios da vida.
Qual o papel da responsabilidade no relacionamento?
É central. Para chegar à saúde em qualquer tipo de relacionamento (amoroso, familiar, fraternal ou até com seu animal de estimação), é preciso responsabilidade para consigo e para com o outro. O relacionamento maduro é uma meta a ser perseguida com afinco. Depende de muita reflexão e, sobretudo, de autoconhecimento. Se você não se conhece, acaba projetando no outro suas faltas e fantasias, o que impede o amadurecimento do casal.
Como o conceito de “Cuidar” se diferencia de apenas “Gostar”?
Aqui chegamos ao ponto crucial da minha abordagem clínica. Baseado no pensamento filosófico Fenomenológico-Existencial (Heidegger), nós somos seres que estamos sempre-cuidando. Cuidar é fundamental. Por mais que haja amor, projetos em comum e atração sexual, sem o cuidar saudável do outro, não há relação que se mantenha, exceto de maneira tediosa, fria ou conflituosa.
A Questão Básica: CUIDAR garante mais uma boa relação do que AMAR.
Devemos ter atenção ao caráter desse cuidar. Podemos cuidar de forma controladora e autoritária (imatura) ou de modo democrático (maduro), que é o “estar junto-com”, entendendo e compartilhando o que o outro realmente precisa, dentro do que podemos conceder.
A Profundidade Técnica: Como é o Caminho do Amadurecimento?
Na minha pesquisa para ajudar casos complexos no consultório, busquei na teoria algo que explicasse o relacionamento de qualidade. Encontrei em Donald W. Winnicott, o psicanalista do amadurecimento, as bases que guiam meu trabalho.
Como é a Tendência Inata e a Inteligência Maturacional?
Winnicott diz que “todo ser humano é dotado de uma tendência inata ao amadurecimento” e que “amadurecimento é saúde”. Na maturidade emocional, a pessoa desenvolve a capacidade de fazer acordos e, consigo mesma, com o outro e com a vida.
Um indivíduo maduro (e, portanto, apto a um relacionamento saudável):
- Aceita a vida como ela é: Aceitar não significa concordar passivamente, mas admitir e assumir a realidade para poder lidar com ela.
- Abandona a perfeição: Entende que fantasias de perfeição (do parceiro ideal ou da vida sem problemas) são impossíveis.
- Aceita a sua impotência: Reconhece que não se pode tudo, que não vamos vencer sempre, e que isso é natural.
E o Entusiasmo no Viver?
No estágio adulto e maduro, o indivíduo enfrenta os desafios sem perder o entusiasmo e a criatividade. A vida é difícil, sim, mas o maduro sabe que, ao cair, se reerguerá. Isso evita que momentos de tristeza virem depressões profundas e permite que a pessoa não precise “se endurecer” ou se fechar afetivamente para se proteger. Quanto mais amadurecido o indivíduo, mais saudável é sua vida e, naturalmente, seu relacionamento.
A Saúde se Conquista Diariamente?
Para finalizar, trago uma reflexão de Friedrich Nietzsche em ‘A Gaia Ciência’, que resume bem nossa conversa: “A grande saúde… uma saúde tal, que não somente se tem, mas que também constantemente se conquista ainda, e se tem de conquistar…”
Ter um relacionamento maduro amoroso não é um destino final, mas um processo constante de conquista. Envolve dedicação diária. Claro que o trabalho, a família e os estudos trazem amadurecimento. Porém, esse amadurecimento “geral” muitas vezes não alcança as profundezas necessárias para destravar um relacionamento. É aí que entra a psicoterapia a psicanálise ou a TCC. É um espaço específico para esse desenvolvimento pessoal amplo e profundo, onde cuidamos da pessoa mais importante para que a relação funcione: você.
Busque seu amadurecimento. Seu relacionamento agradecerá!

Espero Ter Ajudado!
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