O Excesso do Estresse –
Não ocorre apenas no ambiente profissional!
Exaustão Física E emocional Intensa e incapacitante:
Workaholic: quando o trabalho ocupa o lugar do Eu
A questão central do workaholismo reside, antes de tudo, em necessidades pessoais intensas de destaque e reconhecimento. Além disso, de modo semelhante a um vício, a pessoa encontra grande dificuldade em lidar com o próprio Eu. Assim, ao investir excessivamente no trabalho, ela reduz momentaneamente suas angústias e ansiedades, ainda que ao custo de um empobrecimento subjetivo progressivo.
Nesse movimento, o trabalho deixa de ser apenas um meio de subsistência ou realização e passa a funcionar como anestésico psíquico.
O contexto contemporâneo: a “química perfeita” do excesso
No início do século XXI, observamos a convergência de diversos fatores preocupantes.
A multiplicação de exigências e estímulos
Primeiramente, há uma multiplicação quase infinita de ofertas de produtos, serviços e possibilidades. Em segundo lugar, ocorre uma valorização social explícita das empresas e dos indivíduos que trabalham em excesso. Além disso, muitas pessoas que enfrentam dificuldades emocionais passam a se refugiar no trabalho como forma de silenciamento interno.
Desse modo, forma-se uma verdadeira “química perfeita” para que esse padrão não apenas se mantenha, mas também se intensifique.
As consequências psíquicas
Consequentemente, já surgem inúmeros estudos que apontam o aumento expressivo de quadros de depressão, estresse crônico e esgotamento emocional. É verdade que, paralelamente, também emergem movimentos de denúncia dessas condições. Do mesmo modo, cresce o número de pessoas que buscam alternativas como yoga, psicoterapia e outras práticas de cuidado.
Contudo, apesar dessas iniciativas, o cenário permanece profundamente preocupante. Tudo indica, sobretudo diante da extrema competitividade vigente, que situações dessa natureza tendem a se ampliar. Por isso, não basta apenas reconhecê-las; é necessário combatê-las de forma consistente.
A experiência japonesa como alerta global
Em parte, podemos compreender esse fenômeno à luz de certos aspectos da tradição cultural nipônica, como a valorização do esforço, da honra e do perfeccionismo. Somado a isso, há a hipercompetitividade de uma sociedade na qual o acesso às boas universidades se tornou altamente disputado.
Como resultado, o Japão enfrenta atualmente problemas sérios de saúde mental e física. Felizmente, as autoridades japonesas demonstram atenção a esse quadro, apoiadas por um sistema de saúde eficiente, e vêm tomando providências concretas.
Diante disso, descrevo a seguir quatro distúrbios, pois percebo que países como a Coreia do Sul — e até mesmo grandes centros urbanos, como São Paulo — caminham para um cenário semelhante. Isso, confesso, me inquieta profundamente.
Relatos clínicos: o esgotamento precoce
Com frequência, pessoas em torno dos 25 anos relatam frases como:
- “Não aguento mais, na quarta-feira já estou destruído(a)”
- “Queria ficar sozinho(a) em uma ilha deserta, em um navio ou simplesmente dormindo”
- “Tenho vontade de vender tudo, morar numa casinha à beira de um rio, plantar e pescar”
Assim, esses relatos não se reduzem a meras fantasias. Ao contrário, expressam sinais claros de exaustão psíquica e de uma vida que perdeu o equilíbrio entre exigência, sentido e cuidado consigo mesmo.
Distúrbios contemporâneos associados ao excesso
De modo geral, no mundo todo, estresse, pânico e depressão encontram-se profundamente interligados. O Brasil, por exemplo, ocupa hoje o segundo lugar no ranking mundial de estresse, atrás apenas do Japão.
Costuma-se observar uma progressão:
- Estresse persistente
- Síndrome de burnout e/ou crises de pânico
- Depressão
- Em casos extremos, morte associada ao excesso (karoshi)
A seguir, descrevo alguns desses fenômenos.
Karoshi
Karoshi é um termo japonês que significa “morte por excesso de trabalho”. Esse fenômeno atinge inclusive jovens, sobretudo aqueles envolvidos em atividades intelectuais intensas.
Hikikomori
Hikikomori designa o isolamento social extremo. Entre suas causas estão a pressão por desempenho acadêmico, o medo de não obter destaque profissional e, em alguns casos, o uso excessivo de jogos eletrônicos.
Síndrome do celibato
A síndrome do celibato, muito presente no Japão e em expansão global, refere-se à priorização absoluta do desenvolvimento profissional. Nesse contexto, a pessoa evita vínculos afetivos e sexuais por considerá-los perda de tempo ou risco emocional para o desempenho profissional.
Por isso, relações casuais — muitas vezes mediadas por aplicativos — tornam-se mais atraentes, justamente pela facilidade de descarte. Em alguns casos, recorre-se também a profissionais do sexo.
Suicídio
Há décadas, o Japão figura entre os países desenvolvidos com maiores índices de suicídio, ao menos desde 1978. A síndrome do celibato ocorre sobretudo entre pessoas com menos de 40 anos, que buscam máxima competitividade acadêmica e profissional, frequentemente à custa de uma vida amorosa e relacional.
Gravei um documentário da GNT no início do século, intitulado
“Doenças modernas” –
Que é semelhante aos problemas acima descrito. E também, a depressão, pensamento acelerado e síndrome de pânico.
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4)Stress e Terapia Como Melhorar e Relaxar a Mente
Espero Ter Ajudado!
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