IA terapeuta psicologo atendimento é bom?

Procura por IA como terapeuta aumentou muito, mas não substitui

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Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

Na minha experiência de psicoterapeuta nesses 31 anos de clínica, observo que as formas de buscar ajuda emocional mudaram bastante. Em primeiro lugar, as pessoas passaram a falar mais sobre sofrimento psíquico, o que considero um avanço cultural importante. Entretanto, ao mesmo tempo, percebo uma busca crescente por soluções rápidas, acessíveis e sem compromisso prolongado. Atualmente, nesse cenário, a inteligência artificial aparece como uma dessas alternativas. Procura por IA como terapeuta aumentou muito, mas não substitui.

Entendo que muitas pessoas recorrem à IA porque ela oferece disponibilidade imediata. Afinal, basta abrir um aplicativo e escrever. Além disso, não existe fila de espera, custo financeiro direto ou receio de julgamento humano. Assim sendo, para quem está angustiado ou confuso, essa facilidade pode aliviar momentaneamente. No entanto, na minha opinião, esse alívio não equivale a um processo terapêutico propriamente dito.

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Na prática clínica, percebo que a IA funciona como uma espécie de organizador de pensamentos. Por exemplo, ela ajuda a nomear sentimentos, estruturar ideias e devolver respostas coerentes. Contudo, isso ocorre no plano da linguagem. Analogamente a um livro de autoajuda bem escrito, a IA pode orientar, mas não sustenta uma relação. E é justamente essa relação que, a meu ver, produz transformações mais profundas.

Entendo que a psicoterapia envolve encontro humano. Isto é, envolve presença, tempo e implicação. Mesmo que, às vezes, o paciente fale pouco, o vínculo está ali. Além disso, o silêncio também comunica. A IA, por mais sofisticada que seja, não vive esse campo relacional. Portanto, ela não participa da experiência emocional compartilhada, que considero central no cuidado psicológico.

Muitos me perguntam se a IA vai “substituir” o psicólogo. Na minha opinião, não. Entretanto, reconheço que ela filtra parte da demanda. Algumas pessoas que hoje conversam apenas com a IA talvez não buscassem um atendimento clínico de qualquer forma. Assim, não se trata exatamente de perda, mas de mudança no perfil de quem procura terapia.

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Procura por IA como terapeuta aumentou muito, mas não substitui

Entendo que não. A IA responde com base em padrões, enquanto o psicólogo escuta uma pessoa singular. Além disso, no atendimento clínico, eu considero a história, o contexto de vida e o momento atual do paciente. A IA, por outro lado, não se implica afetivamente. Portanto, ela não sustenta processos de longo prazo.

Conversar com IA ajuda em momentos difíceis?

Sim, pode ajudar pontualmente. Por exemplo, em situações de solidão, ansiedade leve ou necessidade de organizar pensamentos. Contudo, quando o sofrimento persiste, se repete ou se aprofunda, a conversa automática costuma se mostrar insuficiente. Nesse ponto, muitas pessoas sentem falta de alguém que acompanhe o processo ao longo do tempo.

Por que tantas pessoas preferem a IA?

Em primeiro lugar, pela rapidez. Além disso, pelo anonimato e pelo custo zero. Ademais, vivemos uma cultura que valoriza respostas imediatas. Entretanto, esse modelo nem sempre combina com o ritmo do amadurecimento emocional. Afinal, mudanças psíquicas raramente acontecem de forma instantânea.

O que diferencia a psicoterapia?

Na minha experiência, a diferença está no vínculo. Eu acompanho o paciente, observo repetições, acolho contradições e ajudo a construir sentido. Assim, o processo não se limita a respostas prontas. Ao contrário, ele envolve descobrir perguntas mais verdadeiras ao longo do caminho.

Procura por IA como terapeuta aumentou muito, mas não substitui

Quem se beneficia mais da terapia?

Geralmente, pessoas que sentem que algo se repete em suas vidas. Por exemplo, conflitos nos relacionamentos, angústias persistentes ou sensação de vazio. Nessas situações, a escuta clínica favorece maior consciência e responsabilidade sobre a própria história. A IA, nesse caso, tende a ficar superficial.

E a terapia breve, funciona?

Sim. Inclusive, ofereço terapia breve quando o caso permite. Minha proposta é construir, junto com o paciente, um plano de atendimento focado em uma questão central. Assim, definimos objetivos claros e um tempo delimitado. Para algumas pessoas, esse formato atende muito bem, sobretudo quando existe uma demanda específica.

A terapia precisa ser longa?

Não necessariamente. Embora alguns processos se estendam, outros se resolvem em menos tempo. Portanto, avalio cada caso com cuidado. O importante é que o paciente saiba que existe um enquadre, um método e um compromisso profissional.

Concluo que a IA ocupa um lugar novo no cuidado emocional contemporâneo. Contudo, ela não substitui a psicoterapia. Ela pode, no máximo, funcionar como apoio inicial. A clínica, por sua vez, continua sendo um espaço de encontro humano, onde o sofrimento encontra escuta, tempo e elaboração.

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