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Bacellart

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Depressão, tristeza ou psicoterapia: como diferenciar e quando procurar ajuda

Em primeiro lugar, entendo que, nos momentos desoladores, acolher genuinamente quem procura por cuidado torna-se fundamental. Na minha trajetória como psicoterapeuta, percebi que estabelecer uma confiança sólida faz toda a diferença para quem busca ajuda. Afinal, trata-se de vivenciar um espaço onde, acima de tudo, as demandas do sofrimento encontram escuta, compreensão, além de um compromisso ético com o bem-estar.

© Direitos Autorais – Bacellart Psicólogo USP. O ensaio aqui publicado pode ser reproduzido, no todo ou em parte; desde que citado pelo autor e pela fonte.

Primeiramente, destaco que diferenciar tristeza de uma depressão não é tarefa simples. Por vezes, lidamos apenas com uma tristeza momentânea, em outros casos, com quadros leves, moderados ou graves de depressão. Além disso, reconheço que tudo depende do significado atribuído pelo próprio indivíduo à sua experiência. Da mesma forma, noto que, para muitas pessoas, a decisão de buscar psicoterapia surge do incômodo em não se sentir bem consigo. Analogamente, cuidar do próprio corpo — como manter-se hidratado — é um exemplo claro de autocuidado. Caso alguém beba pouca água, sofra carências; quando cuida um pouco das próprias emoções, enfrenta sofrimento.

Apesar disso, perceber que rolar rapidamente ou que alguém sente pode gerar distorções. Por isso, na minha proposta, questiono: o quanto há esperança? Inegavelmente, quanto menor a esperança ou quanto mais o pensamento se torna pessimista, mais difícil o sofrimento. Por exemplo, toda vez que converso com um paciente, procuro analisar as últimas quatro, oito, doze semanas: houve melhora, manutenção ou piora dos sintomas? Do mesmo modo, observamos mudanças nas atividades habituais, na relação do indivíduo com o corpo (incluindo sono, peso, sexualidade), pois esses aspectos evidenciam a gravidade do sofrimento.

Psicoterapia depressão tristeza – Como diferenciar de uma tristeza?

Atualmente, noto que existe, ainda, certo medo em receber o diagnóstico de “depressão” de um psicólogo. Em muitas situações, ouço relatos de pessoas que se sentem como se estivessem levando um rótulo que pode transformar tudo à sua volta. No entanto, acredito que esse temor sequer ocorre com diagnósticos físicos, como o de pedra nos rins, por exemplo. Afinal, é mais comum associar a depressão a uma fraqueza de caráter — ideia que rejeitada, pois entendo que se trata de uma condição complexa, atravessada por fatores biológicos, históricos e contextuais. Contudo, sei que o preconceito ainda está presente tanto na sociedade quanto no próprio olhar da pessoa sobre si mesma.

Ocorre frequentemente de quem atravessa depressão construir uma narrativa de autodepreciação, focada em julgamentos e autocrítica corrosiva. Por outro lado, observamos também que, ao iniciar um processo psicoterapêutico, ocorre algo surpreendentemente transformador: com o autocuidado, há mudança na forma de enxergar o mundo e nas relações cotidianas. Em suma, quem procura ajuda tende a desenvolver recursos para se fortalecer, cuidar do sofrimento e, principalmente, ampliar a visão sobre as suas possibilidades. Na minha experiência, a psicoterapia não serve apenas para tratar a depressão, mas para promover o crescimento pessoal, inclusive quando existe certo preconceito ou resistência inicial.

Psicoterapia depressão tristeza – Resignação saudável:

Posteriormente, percebo outro aspecto que merece atenção: a chamada resignação saudável. Por vezes, alguém aceita tão completamente um estado de desânimo que acaba por se adaptar ao sofrimento, como se a vida não pudesse ser diferente. Isso resulta em isolamento, abandono de relacionamentos, projetos pessoais interrompidos ou limitados, objetivos esquecidos. Logo, a rotina ganha uma cor cinzenta e passa a acreditar que tal condição faz parte do normal. Assim também compreendendo que, sem resignação, a existência fica pesada. Concordo, por analogia ao pensamento de Winnicott, que autocrítica e responsabilidade são sinais de amadurecimento.

Aliás, uso aqui o termo resignação na mesma linha de Heidegger: acessível, ativo do momento, disposição para enfrentar os desafios sem revolta, flexibilidade para recomeçar. Por vezes, ao compreender a necessidade de medicação em determinados quadros, percebo que o acolhimento da vulnerabilidade impulsiona o processo de responsabilização consigo. Em virtude disso, cuidar-se reflete em todos os aspectos da vida, promovendo movimentos saudáveis ​​mesmo em situações adversárias.

Psicoterapia depressão tristeza – Umildade em aceitar ajuda e sem culpa:

O cuidado genuíno, contudo, requer um ingrediente especial: humildade. Isto é, a capacidade de consideração o sofrimento, aceitar que não está tudo bem e, se necessário, pedir ajuda. Uma frase popular, frequentemente escutada por mim, resume bem esse processo: “se não veio pelo amor, veio pela dor”. Seja no âmbito religioso, familiar ou clínico, tal expressão ilustra o caminho de quem decide transformar a própria história a partir das dificuldades. Da mesma forma, percebo, na prática, que o apoio busca demonstrar maturidade, pois envolve coragem para enfrentar não só sentimentos, mas também os próprios limites.

Portanto, considere essencial, enquanto terapeuta, não desconsiderar possíveis fatores físicos relacionados à depressão, como alterações da tireoide ou do funcionamento cerebral, conforme enfatizado por especialistas em medicina. Ainda assim, minha proposta valoriza, primordialmente, a busca pela autonomia e pela construção de uma vida com sentido. Enfatizo sempre que a resiliência se constrói ao longo do tempo, por isso prefiro observar o percurso do paciente em sua totalidade.

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