O processo é melhor que a conquista. Quando se realiza algo há um vazio

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Bacellart

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O processo é melhor que a conquista:

Quando se realiza algo há um vazio:

Heidegger define a existência humana como Ser-no-mundo que se encontra lançado em uma realidade temporal e espacial. Nós não somos um sujeito isolado, mas um ser que se constitui em relação ao mundo, aos outros e a si mesmo. A existência, portanto, não é um estado estático, mas um constante devir, um processo dinâmico de vir-a-ser, por isso, o processo é melhor que a conquista, o que nos dá esperança para a realização de algo que nos faça sentido, pois ao realizar algo, há um sentimento de vazio, pois “acabou”, “e agora”?. Sei muito bem disso, sobretudo quando finalizei a escrita do meu livro de prosa poética, Dueto de Cores Nuas.

O ser-no-mundo implica uma constante interação com o mundo, uma abertura para as possibilidades que se apresentam a cada momento. A vida não é um caminho linear em direção a um objetivo final, mas uma jornada repleta de desafios, escolhas e transformações. Nesse contexto, a busca por uma conquista definitiva se revela ilusória, pois a existência é um contínuo fluir, um processo de constante movimento e mudança.

© Copyright – Bacellart Psicólogo USP Paulista. O ensaio aqui publicado pode ser reproduzido, no todo ou em parte, desde que citados o autor e a fonte.

O Tempo como Dimensão Fundamental da Existência:

Para Heidegger, o tempo é a dimensão fundamental da existência humana. O ser humanos não existe em um tempo abstrato, mas em um tempo concreto, histórico e finito. A consciência da finitude da existência, da inevitabilidade da morte, nos impulsiona a questionar o sentido da vida e a buscar uma existência autêntica.

O tempo não é apenas uma sucessão de momentos, mas uma estrutura que possibilita a compreensão do passado, a experiência do presente e a projeção para o futuro. O passado nos fornece as bases para nossa identidade e nossa compreensão do mundo, o presente nos oferece a oportunidade de agir e transformar a realidade, e o futuro nos impele a projetar nossos desejos e aspirações.

A ênfase no tempo como dimensão fundamental da existência nos convida a valorizar o processo em detrimento da conquista. Ao invés de nos fixarmos em um resultado futuro, somos convidados a mergulhar na riqueza do momento presente, a apreciar cada etapa da jornada, a aprender com os desafios e a celebrar as pequenas vitórias.

Autenticidade e a Liberdade de Escolha:

A proposta é que a existência autêntica é aquela que se assume como um projeto de si mesmo, que se abre para as possibilidades do ser e que se liberta das amarras do discurso impessoal e das expectativas sociais. A autenticidade implica uma tomada de consciência da própria finitude e uma responsabilidade pela própria existência.

A liberdade de escolha é um elemento fundamental da existência autêntica. Somos livres para escolher nossos valores, nossos projetos e nosso modo de ser-no-mundo. No entanto, a liberdade não é um estado de pura indeterminação, mas uma responsabilidade que nos exige tomar decisões e assumir as consequências de nossas escolhas.

O processo de escolha e decisão é essencial para a construção de uma existência autêntica. Ao invés de buscarmos a aprovação dos outros ou seguirmos cegamente as normas sociais, somos convidados a trilhar nosso próprio caminho, a criar nosso próprio significado e a viver de acordo com nossos valores mais profundos.

O Processo como Fonte de Significado e Realização:

A primazia do processo sobre a conquista nos liberta da ansiedade e da frustração associadas à busca incessante por objetivos externos. Ao invés de nos compararmos aos outros ou nos medirmos pelo sucesso material, somos convidados a valorizar o crescimento pessoal, o aprendizado contínuo e a busca por uma vida significativa.

O processo nos permite desenvolver uma relação mais autêntica e significativa com nós mesmos e com o mundo ao nosso redor. Ao nos engajarmos plenamente em cada experiência, expandimos nossa consciência, aprofundamos nosso autoconhecimento e cultivamos uma maior apreciação pela vida em sua totalidade.

A luta pela conquista também nos oferece a oportunidade de desenvolver nossas habilidades, nossos talentos e nossa criatividade. Ao nos dedicarmos a um projeto, a um trabalho ou a uma causa que nos inspire, experimentamos a alegria da realização e a satisfação de contribuir para algo maior do que nós mesmos.

Considerações finais:

A filosofia existencial nos convida a uma profunda reflexão sobre a natureza da existência humana; e a reconsiderar a primazia da conquista em detrimento do processo. Ao compreender a existência como um “acontecente” em constante devir, e ao reconhecer o tempo como dimensão fundamental da existência, somos convidados a valorizar o processo como a verdadeira essência da vida.

A busca pela autenticidade e a liberdade de escolha nos permitem trilhar nosso próprio caminho, em suma, para construir nosso próprio significado e viver de acordo com nossos valores mais profundos. O processo se revela como a fonte de significado e realização, proporcionando uma vida mais rica, mais plena e mais autêntica.

Portanto, em vez de buscarmos a conquista como um fim em si mesma;  abracemos o processo como uma oportunidade de crescimento, aprendizado e autodescoberta. Ao fazê-lo, descobriremos que a verdadeira riqueza da vida reside na jornada em si, e não em um destino final ilusório. Sentido da vida: LINK.

 

Quando se conquista algo, é um término, durante a batalha para a conquista, nos mantemos em movimento.

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Espero ter ajudado!