Tensões afetivas, familiares, sociais e profissionais: confiança

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Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

4 pessoas sentadas ao lado em desacordo, conflitos sociais, tensões na relação, não aceitação das diferenças do outro.

Tensões afetivas, familiares, sociais e profissionais: confiança

Tensões afetivas, familiares, sociais e profissionais: confiança

Tensões afetivas, familiares, sociais e profissionais: confiança

Bacellart Psicólogo USP Paulista - O ensaio poderá ser reproduzido, desde que citado o autor.

Podem se originar de ter ou evitar conflitos nos vínculos,

afetando a autoestima e a confiança, o ser humano pode se retrair e até se endurecer:

As tensões afetivas nos relacionamentos aparecem de maneiras muito diferentes. Algumas são claramente percebidas, uma discussão que se repete, uma família que interfere demasiadamente, um colega de trabalho que desconsidera limites, um casal que perdeu a capacidade de conversar sobre assuntos importantes. Outras quase se confundem com o modo habitual de existir e só começam a chamar atenção quando o desgaste já se espalhou para outras relações. Vejo nos atendimentos que alguém pode ser muito seguro profissionalmente e, ao mesmo tempo, tornar-se excessivamente inseguro diante de quem ama, assim como pode sustentar bons vínculos afetivos e se sentir diminuído no trabalho. Procuro compreender essas diferenças sem encaixar rapidamente o ser humano em categorias prontas, pois cada vínculo possui uma história e uma forma própria de ter se constituído.

Bacellart Psicólogo USP Paulista – O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.

Quando as relações começam a modificar quem somos

Com frequência, um conflito não termina quando termina a conversa. Ele pode continuar presente na maneira como alguém espera a próxima resposta, interpreta um olhar ou antecipa uma crítica que ainda nem ocorreu. Há aí uma dimensão pré-reflexiva, em termos simples, uma forma de já estar afetado antes de compreender claramente o que está acontecendo. Alguém pode perceber que escolhe determinadas palavras para evitar desagradar, modifica planos para impedir uma discussão ou concorda com algo que não desejava realmente aceitar. Aos poucos, aquilo que parecia apenas adaptação pode atingir a confiança, a espontaneidade e até a possibilidade de reconhecer o próprio desejo com alguma clareza. Nesses casos, interessa-me menos perguntar quem está certo e mais compreender o modo como a relação passou a organizar o existir de ambos.

Como cuidar e ter comunicação saudável e equilibrada?

Uma comunicação suficientemente saudável depende da possibilidade de falar e também de suportar ouvir algo que contraria expectativas. Isso parece simples até que o assunto seja importante. Num casal, por exemplo, uma frase sobre dinheiro pode carregar anos de insegurança; numa família, uma discordância sobre escolhas profissionais pode ser recebida como rejeição; no trabalho, uma observação relativamente comum pode tocar numa antiga sensação de desvalorização. Na minha experiência clínica, conversas melhores aparecem quando cada um consegue apresentar o que pensa sem transformar a diferença em ataque e sem exigir que o outro reconheça imediatamente sua posição. Há ocasiões em que vale interromper uma conversa e retomá-la mais tarde, há outras em que sucessivos adiamentos apenas preservam aquilo que já está prejudicando o vínculo.
Também observo que falar muito não significa comunicar-se bem. Certas relações são preenchidas por explicações, justificativas e discussões intermináveis, enquanto aspectos decisivos permanecem pouco nomeados. Um companheiro pode reclamar repetidamente da organização da casa quando está ressentido com a falta de proximidade; um filho adulto pode discutir horários quando deseja maior reconhecimento de sua autonomia. A psicoterapia pode ajudar justamente a perceber essas diferenças entre aquilo que está sendo dito e aquilo que, de modo pré-reflexivo, parece orientar o conflito.

Como ter bons acordos, intimidade, entendimento e aceitação?

Um bom acordo não precisa ser semelhante ao acordo de outros casais, outras famílias ou outros grupos sociais. Precisa fazer sentido para os envolvidos e conservar dignidade, reciprocidade e possibilidade de revisão. Tenho simpatia por relações em que cada um pode permanecer reconhecível para si mesmo, inclusive quando existe muita proximidade. Intimidade, para mim, não significa fusão. Há vínculos intensos nos quais duas existências continuam possuindo amizades, interesses, crenças, diferenças políticas e modos próprios de ocupar o tempo, sem que isso seja vivido automaticamente como ameaça.
Aceitar o outro também não equivale a aceitar qualquer maneira de ser tratado. Esse ponto merece alguma precisão, pois a palavra aceitação foi banalizada e às vezes parece exigir tolerância ilimitada. Em clínica, compreendo-a de forma mais sóbria: reconhecer quem o outro é, compreender suas possibilidades e limitações, e então decidir o que pode ser compartilhado com ele. Isso vale para relações amorosas, familiares, sociais e profissionais. O entendimento possível entre dois seres humanos costuma amadurecer justamente quando desaparece a fantasia de que um deles conseguirá reformar completamente o outro.

Como escolher e conhecer uma relação amorosa de melhoria significativa, seja hetero ou LGBTQIAPN+?

Depois de muitos anos de clínica, considero pouco convincente avaliar uma relação apenas por uma lista de características desejáveis. Um ser humano pode parecer afetuoso, culto, interessante e socialmente admirado e, ainda assim, constituir com determinado parceiro um vínculo extremamente empobrecedor. O inverso também ocorre, alguém repleto de limitações pode participar de uma relação na qual ambos se sentem mais livres para crescer, pensar e se modificar. Prefiro observar o que acontece entre os dois, se existe interesse real pelo outro, se a discordância pode sobreviver sem humilhação, se o afeto permanece quando aparecem diferenças e se cada um consegue preservar aspectos importantes do próprio existir.
Minha compreensão é a mesma diante de relações heterossexuais ou LGBTQIAPN+. As configurações podem ser distintas e a história social de cada grupo produz experiências muito particulares, porém dignidade e respeito não dependem da orientação afetiva, da origem, da cor da pele, da aparência corporal, da religião, da ausência de religião, da posição política ou de outras diferenças humanas. Atender clinicamente alguém exige que essas particularidades possam aparecer sem uma régua moral previamente colocada sobre elas. Uma psicoterapia humanista precisa admitir que o ser humano pode construir modos de existir bastante diferentes daqueles escolhidos pelo psicoterapeuta.

Como ter independência afetiva saudável, sem dependência?

A expressão independência afetiva pode produzir um equívoco curioso, como se amadurecer significasse precisar cada vez menos dos outros. Winnicott ajuda a pensar justamente o contrário: um amadurecimento suficientemente bom permite depender sem desaparecer nessa dependência. Somos constituídos em relações e continuamos necessitando delas. Afeto, amizade, companheirismo, reconhecimento e amparo permanecem relevantes em qualquer idade, inclusive para quem desenvolveu grande autonomia profissional, financeira ou intelectual.
O problema aparece quando determinada relação passa a decidir quase tudo, o valor que alguém atribui a si mesmo, o que pode fazer, com quem pode falar, quais opiniões pode sustentar e até quais partes de si mesmo parecem autorizadas a existir. Em alguns casos, observo que esse processo aconteceu pouco a pouco e foi sendo compreendido como amor, zelo ou compromisso. O não consciente, no sentido fenomenológico que utilizo, pode participar fortemente disso, pois certos modos de buscar aprovação ou evitar abandono aparecem antes de qualquer reflexão organizada. Um ser humano pode saber intelectualmente que está livre para discordar e, ainda assim, experimentar grande dificuldade em fazê-lo.

Quando ter ou evitar conflitos produz quase o mesmo desgaste

Há quem enfrente qualquer divergência imediatamente e há quem faça enorme esforço para impedir que ela apareça. Os dois extremos podem empobrecer as relações. Confrontos contínuos transformam convivência em disputa, enquanto a evitação sistemática pode criar uma espécie de paz aparente que cobra seu preço mais tarde. Entre esses extremos existe algo mais trabalhoso: perceber quais diferenças merecem conversa, quais podem simplesmente coexistir e quais atingem pontos fundamentais demais para serem deixados de lado. Tenho encontrado boas mudanças clínicas quando o ser humano começa a distinguir essas situações, em vez de responder da mesma maneira a qualquer incômodo.

Conclusão

Aos 59 anos e depois de mais de três décadas de prática clínica, continuo vendo as tensões afetivas nos relacionamentos como um campo que pede mais compreensão do que receitas. Um vínculo pode fortalecer e também restringir, oferecer amparo e ao mesmo tempo exigir mudanças difíceis, aproximar dois seres humanos sem que eles precisem tornar-se semelhantes. A psicoterapia pode favorecer uma compreensão mais ampla dessas relações, inclusive daquilo que já está sendo vivido antes de ganhar palavras claras, mantendo uma relação terapêutica horizontal, respeitosa e sem julgamentos prévios. Minha posição permanece aberta à singularidade de cada história, pois amadurecer afetivamente talvez tenha muito a ver com conseguir estar com os outros sem abandonar excessivamente quem se vem sendo e quem ainda se pode vir a ser. Texto colado

sugiro refletir com calma, esse tema: Solidão / Ser único – Não ter com quem compartilhar quem você é, é importante, mesmo não sendo o seu caso.

Espero Ter Ajudado!