Relação Saudável é Possível! Mas Precisa Cuidar!

Foto de Bacellart

Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

imagem de casal planejando o futuro junt oscom psicólogo experiente hetero ou LGBT

Relação Saudável é Possível! Mas Precisa Cuidar!

Relação Saudável é Possível! Mas Precisa Cuidar!

Relação Saudável é Possível! Mas Precisa Cuidar!

Bacellart Psicólogo USP Paulista - O ensaio poderá ser reproduzido, desde que citado o autor.

Casamento, Namoro, Ficar: Entrevista para a TV Record

 

Me questiono: porque se tem paciência no trabalho(as vezes desagradável), mas “não consegue” ter com a pessoa amada? Essa A dedicação deslocada: trabalho, causas e o empobrecimento dos vínculos afetivos

Quando a causa ocupa o lugar da relação

Sinto que essa questão é fundamental. Afinal, a resposta não é complexa: as pessoas costumam dedicar muito mais energia ao trabalho, ao estudo ou a uma causa do que à pessoa com quem se relacionam afetivamente, mesmo quando afirmam amar esse parceiro ou parceira. Quando falo em causa, refiro-me a tudo aquilo que orienta o viver e mobiliza empenho constante, como esporte, religião, política, voluntariado, consumo, viagens, diversão, drogas ou proteção animal. Em muitos casos, essas causas organizam a vida com mais força do que os vínculos afetivos.

 

© Bacellart Psicólogo USP Paulista –

O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.

 

Formação para o desempenho, não para o cuidado

De modo geral, somos muito mais preparados para o desempenho profissional do que para um lidar maduro com quem amamos. Além disso, soma-se a isso o desejo de realização pessoal. Por exemplo, sair do país por uma promoção no trabalho ou para estudar é algo frequente; contudo, essa escolha costuma deixar a pessoa amada sem a dedicação que uma relação saudável exige.

Isso sempre me chamou a atenção no consultório nessas décadas. O analisando chega frustrado porque o relacionamento não flui ou porque não consegue encontrar alguém que realmente lhe agregue. No entanto, raramente ele questiona o quanto investe, de fato, nos vínculos afetivos.

 

Amor não garante competência relacional

No início da minha carreira, algumas mães diziam: se amo meu filho, claro que sou uma ótima mãe. Esse raciocínio também aparece nas relações amorosas. Contudo, lamentavelmente, não funciona assim. Ser uma boa mãe, ou um bom parceiro, é extremamente complexo. Exige tempo, esforço contínuo, disponibilidade emocional e, muitas vezes, ajuda externa. Amor, por si só, não garante maturidade relacional.

 

Sucesso social versus abandono afetivo

A forma como absorvemos os valores sociais vigentes, especialmente sucesso, vitória e realização,  cria uma assimetria clara. Mesmo quando alguém afirma valorizar família e afetos, a dedicação prática raramente é equivalente. Além disso, vejo que o sentimento de poder gerado por conquistas profissionais, financeiras ou humanitárias costuma roubar da pessoa aquilo que ela mesma diz ser essencial: o amor, a amizade e o desfrute tranquilo do mundo.

 

A falsa sensação de estabilidade nos relacionamentos

Muitas pessoas se comportam com quem amam como se o vínculo fosse um emprego com estabilidade garantida. Assim, deixam de investir em diálogo aberto, em escuta genuína e até em trabalhar suas próprias limitações emocionais. É desse cenário que surge o “espanto” quando o parceiro encerra um laço já frágil de afetos e forte de desentendimentos desgastantes, muitas vezes acumulados por anos.

 

O esforço que não se economiza

Papéis sociais e limites do comportamento

Somos, naturalmente, diferentes conforme o contexto. Não agimos da mesma forma com uma criança, um amigo adulto ou um desconhecido. Esses papéis são necessários. No entanto, isso não autoriza gritar com o filho ou o parceiro, especialmente quando se manteve extrema paciência com um chefe ou cliente difícil no mesmo dia.

 

Uma educação voltada à eficiência da escuta

Nossa educação não nos instrui nem nos treina para ouvir, acolher e cuidar. A sociedade nos lança diretamente ao estudo, ao trabalho e às responsabilidades práticas. No século passado, a mulher assumia com mais frequência o cuidado emocional do lar. Hoje, esse cenário muda de forma evidente, sobretudo com a terceirização da educação dos filhos.

 

Resolver o problema não é acolher o sofrimento

No trato com o outro, aprendemos a agir de forma pragmática para “resolver” o problema alheio. Se alguém perde o emprego, por exemplo, logo dizemos que precisa procurar outro. Contudo, o que essa pessoa precisa, naquele momento, é de escuta compreensiva, não de instrução. Em relações saudáveis, acolher, aceitar, comunicar, flexibilizar e conviver caminham juntos.

 

Quando o cuidado chega tarde demais

“Mover-se quando a água bate no nariz”

Há também um traço humano recorrente: economizar esforço. Muitas pessoas só reagem quando a situação se torna insustentável,  quando a “água bate no nariz” (como digo). Antes disso, toleram o desconforto, acreditando que ainda conseguem sobreviver no barco que faz água. O pedido de mudança costuma surgir apenas diante da intimação judicial de divórcio. Às vezes, ainda há reversão; na maioria dos casos, não. Se o cuidado começasse quando a água molhava os pés, o vínculo se fortaleceria com muito menos dor.

 

Escolhas maduras em um mundo de excessos

Vivemos em uma época em que muito é oferecido, mas não é possível ter tudo, nem sempre, nem no melhor nível. Além disso, precisamos dormir, comer e cuidar do corpo. Isso exige escolhas maduras (via autoconhecimento) sobre o que realmente importa.

 

Relações afetivas e depressão

Um fator central de sofrimento psíquico

Um dos maiores gatilhos para a depressão são os maus relacionamentos, os rompimentos e os divórcios. Cerca de 50% das pessoas que procuram psicoterapia o fazem por um abatimento relacionado a vínculos afetivos frágeis ou inexistentes.

O sofrimento depressivo, além de intenso, é difícil de atenuar. Ele afeta múltiplas áreas da vida e não tem prazo claro para cessar. Diferentemente de perdas financeiras, que costumo chamar de “mecânicas”, por serem concretas e delimitáveis —, a dor afetiva corrói silenciosamente. Por isso, vale a pergunta final: se isso é tão essencial, por que não dedicar mais a isso desde agora? Imagine o quanto seu relacionamento melhoraria se você se esforçasse metade do que se esforça profissionalmente. Relação Saudável é Possível!

 

Espero Ter Ajudado!