Psicólogo da Fenomenologia Existencial Heidegger, Ponty, Husserl

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Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

Psicólogo fenomenologia existencial, modo de atendimento

Psicólogo da Fenomenologia Existencial Heidegger, Ponty, Husserl

Psicólogo da Fenomenologia Existencial Heidegger, Ponty, Husserl

Psicólogo da Fenomenologia Existencial Heidegger, Ponty, Husserl

Bacellart Psicólogo USP Paulista - O ensaio poderá ser reproduzido, desde que citado o autor.

Psicólogo da Psicoterapeuta Fenomenologia Existencial

Heidegger, Ponty, Husserl

 

A psicoterapia que exerço há mais de três décadas parte de uma inspiração fenomenológica existencial, sobretudo heideggeriana, sem transformar Heidegger numa autoridade que determine antecipadamente aquilo que devo encontrar em cada atendimento. Procuro permanecer disponível ao modo singular como cada ser humano existe, compreende a si mesmo, encontra os outros, sofre, escolhe, recua, aproxima se e antecipa seu porvir. A formação teórica oferece referências importantes, porém o acontecente que chega ao consultório sempre excede aquilo que já estudei. Aos 59 anos e depois de 31 anos de clínica, essa constatação ficou ainda mais evidente para mim, pois experiência acumulada também pode se tornar um obstáculo quando começo a acreditar que já sei, cedo demais, o que está acontecendo.

 

Bacellart Psicólogo USP Paulista – O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.

 

O psicólogo fenomenológico diante de um ser humano singular

A abertura que procuro manter nos atendimentos

Husserl trouxe para a fenomenologia uma exigência que considero clínica e intelectualmente valiosa, a tentativa de colocar provisoriamente entre parênteses certezas já estabelecidas para que o fenômeno possa aparecer com maior clareza. Isso nunca significa apagar tudo aquilo que aprendi, como se fosse possível comparecer a uma consulta sem história, formação ou experiência. Entendo esse exercício como uma vigilância sobre minhas próprias conclusões. Um diagnóstico, uma teoria ou uma experiência clínica anterior podem colaborar com a compreensão, desde que permaneçam suficientemente móveis para que aquele acontecente concreto possa contrariá las.

Vejo nos atendimentos como duas situações aparentemente semelhantes podem carregar significados muito diferentes. Uma separação amorosa pode ser vivida como abandono devastador, enquanto para outro ser humano pode trazer alívio depois de anos de uma relação empobrecida. Uma promoção profissional pode ampliar o entusiasmo de alguém e, em outro acontecente, produzir receio diante de responsabilidades que até então estavam distantes. Interessa me compreender como aquele mundo está aparecendo para quem o habita, quais possibilidades ficaram mais próximas, quais se afastaram e de que maneira sua história continua participando do presente.

 

Heidegger e uma psicologia que permanece próxima do existir

O ontológico ilumina aquilo que observo concretamente

Heidegger me interessa justamente por deslocar a pergunta sobre o ser humano de uma coleção de características psicológicas para o modo como existimos. Temporalidade, finitude, ser com os outros, compreensão e Sorge, cuidado, pertencem ao plano ontológico, isto é, descrevem condições constitutivas do existir sem classificá las moralmente. Na clínica, porém, encontro o plano ôntico, concreto, no qual cada acontecente realiza essas condições de maneira singular. Minha atividade é principalmente ôntica, embora a analítica heideggeriana ajude a iluminar aquilo que observo.

Quando acompanho alguém que permanece muito ligado a um acontecimento ocorrido vinte anos antes, não compreendo o passado como algo simplesmente encerrado numa data antiga. Aquilo que aconteceu pode continuar participando da maneira como esse ser humano se aproxima de relações atuais, interpreta uma ausência, antecipa uma perda ou organiza seus próximos anos. O porvir também participa do presente, pois um projeto profissional ainda distante já modifica o modo de estudar hoje, assim como o receio de uma separação futura pode alterar uma relação que ainda permanece. A temporalidade humana mostra se muito mais entrelaçada do que uma sequência de datas.

 

Merleau Ponty e aquilo que acontece antes da reflexão

O corpo participa da compreensão do mundo

Merleau Ponty acrescenta algo que considero precioso para a clínica, pois chama atenção para aquilo que já acontece antes de uma reflexão elaborada. Um ser humano entra em determinado ambiente e sente desconforto antes de conseguir explicar o motivo, aproxima se de alguém com facilidade ou percebe uma tensão numa conversa antes de formular qualquer pensamento organizado sobre ela. A corporeidade já está implicada nesse encontro. A postura muda, a respiração se modifica, a proximidade pode ser procurada ou evitada, e muitas dessas respostas antecedem uma explicação mais clara.

Prefiro compreender essa dimensão como prévia à reflexão, uma maneira de estar no mundo que já possui sentido antes de receber uma formulação elaborada. Durante um atendimento, alguém pode afirmar que determinado relacionamento está bem e, ao mesmo tempo, apresentar grande incômodo sempre que essa relação entra na conversa. Isso não me autoriza a concluir rapidamente que existe algo escondido que eu deveria revelar. A divergência merece ser acompanhada com cuidado, permitindo que o próprio acontecente possa ampliar sua compreensão do que sente, faz e espera daquela relação.

 

O ‘não consciente fenomenológico’ em minha prática clínica

Aquilo que é de si mesmo e ainda permanece velado

Uso por vezes a expressão “não consciente fenomenológico” no sentido linguístico de inconsciente, justamente para evitar uma associação imediata com teorias psicanalíticas específicas. Refiro me a algo de si mesmo que participa do sentir, do compreender e do fazer, embora ainda permaneça pouco desvelado para aquele acontecente. Essa dimensão pode influenciar muito ou pouco uma escolha, um vínculo, uma recusa ou uma repetição, sem que exista necessariamente uma explicação pronta aguardando descoberta.

Na minha experiência clínica, alguém pode procurar reiteradamente relações com seres humanos muito exigentes e passar anos explicando esses encontros como simples acaso. Com o tempo, talvez comece a perceber que o reconhecimento vindo justamente de quem dificilmente reconhece possui uma importância particular em sua história. Essa compreensão raramente nasce de uma interpretação brilhante do psicólogo. Costuma surgir aos poucos, quando diferentes acontecimentos começam a se aproximar e o ser humano consegue ver algo de si mesmo que antes participava de seu existir sem estar suficientemente compreendido.

 

O encontro terapêutico e a confiança construída com o tempo

Winnicott e uma aproximação que considero clinicamente importante

Embora minha inspiração principal seja heideggeriana, encontro em Winnicott contribuições muito importantes quando penso a confiabilidade da relação terapêutica e o amadurecimento. Há momentos em que investigar significados precisa ceder espaço a uma sustentação clínica mais cuidadosa. Um ser humano extremamente fragilizado pode precisar primeiro experimentar continuidade, acolhimento e confiança suficientes para, depois, conseguir aproximar se de questões que durante muito tempo foram difíceis de suportar.

Procuro manter uma relação respeitosa e suficientemente horizontal, preservando as funções diferentes que existem entre psicólogo e paciente. Recebo com o mesmo respeito seres humanos LGBTQIAPN+, religiosos de diferentes tradições, ateus, seres humanos ligados a experiências místicas, diferentes posições políticas, corpos diversos e modos de existir que podem afastar se bastante das expectativas sociais mais comuns. Questões relacionadas ao uso de drogas também são compreendidas a partir da história concreta daquele acontecente. O consultório não me parece lugar adequado para vigilância moral sobre modos de existir.

Dentro do que considero clinicamente razoável, mantenho também disponibilidade para mensagens e telefonemas entre consultas quando alguma situação exige esse contato. A confiança construída numa psicoterapia ultrapassa os cinquenta minutos marcados no relógio, embora necessite limites suficientemente claros para preservar a própria relação. Essa disponibilidade jamais significa criar dependência do psicólogo; compreendo melhor como parte de um cuidado que reconhece momentos nos quais esperar pela próxima sessão pode ser difícil demais para determinado acontecente.

 

 

O presencial e o online na psicoterapia atual

A presença compartilhada continua sendo especialmente importante

O atendimento por vídeo funciona e pode sustentar processos psicoterapêuticos muito ricos. Nos últimos anos acompanhei o aumento expressivo dessa modalidade, especialmente entre seres humanos que passaram a trabalhar em casa, vivem em outras cidades ou possuem rotinas que tornam o deslocamento bastante difícil. Muitos se acostumaram rapidamente à comodidade de abrir o computador poucos minutos antes da consulta, sem enfrentar trânsito, estacionamento e o tempo necessário para chegar ao consultório.

Ainda considero o encontro presencial especialmente valioso. Estarmos no mesmo espaço cria uma qualidade de proximidade que a tela reproduz apenas parcialmente, pois compartilhamos concretamente o ambiente, as distâncias, o modo de chegar, sentar, mover se e permanecer na relação. O próprio deslocamento até a consulta pode marcar uma diferença no ritmo daquele dia, criando um tempo reservado para encontrar o psicólogo e posteriormente retornar às outras atividades. Em meu consultório na Avenida Paulista, valorizo muito essa experiência quando ela pode acontecer.

Para quem mora longe, costumo sugerir que algum atendimento presencial aconteça a cada um ou dois meses, mantendo as demais consultas online quando essa composição favorece a continuidade do processo. Não transformo isso numa exigência uniforme, pois cada acompanhamento possui circunstâncias próprias. Observo apenas que a facilidade tecnológica pode nos fazer desistir rapidamente de deslocamentos que ainda possuem valor humano importante, e considero pertinente conversar sobre isso ao longo da psicoterapia.

 

Uma psicologia fenomenológica permanece aberta ao que ainda pode aparecer

Minha conclusão depois de mais de três décadas de clínica

Depois de tantos anos atendendo, estudando e também conhecendo melhor minhas próprias limitações, compreendo cada vez mais a psicoterapia fenomenológica existencial como uma atividade que exige conhecimento e, ao mesmo tempo, capacidade de não se deixar aprisionar por ele. Husserl ajuda me a desconfiar das certezas precoces, Heidegger amplia minha compreensão do existir humano e Merleau Ponty recoloca a corporeidade e aquilo que antecede a reflexão no centro da experiência. Winnicott, em outro horizonte, lembra me da importância clínica da confiabilidade, do amadurecimento e do cuidado.

Nenhum autor encontra previamente aquele ser humano que chegará amanhã ao consultório. Essa talvez seja uma das razões pelas quais continuo interessado pela clínica depois de três décadas, pois cada encontro ainda pode deslocar uma compreensão anterior, mostrar uma possibilidade que não havia considerado e exigir outra maneira de acompanhar. Minha defesa da fenomenologia existencial parte justamente daí, da possibilidade de estudar profundamente sem transformar o estudo numa grade que determine antecipadamente aquilo que um acontecente pode ser.

 

sugiro refletir com calma, esse tema, ele vai ser importante em várias situações do seu viver, para sempre.

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