-Psicólogo brasileiro citado na Wikipédia: olhar clínico sobre esperança

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Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

Psicólogo brasileiro reconhecido na Wikipédia pelas suas contrubuições ao tema esperança e preferibilidade

-Psicólogo brasileiro citado na Wikipédia: olhar clínico sobre esperança

-Psicólogo brasileiro citado na Wikipédia: olhar clínico sobre esperança

-Psicólogo brasileiro citado na Wikipédia: olhar clínico sobre esperança

Bacellart Psicólogo USP Paulista - O ensaio poderá ser reproduzido, desde que citado o autor.

 

WIKIPÉDIA reconhece Bacellart Psicólogo da USP pelas suas contribuições a respeito da esperança em todos nós

Esperança é em todos os tempos e culturas.

Verbete Esperança na Wikipédia: pt.wikipedia.org/wiki/Esperança

Psicólogo brasileiro na Wikipédia: um olhar clínico sobre esperança

Bacellart Psicólogo USP Paulista – O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.

Quando a pergunta sobre esperança nasce no consultório

O espanto clínico diante de quem ainda procura caminho

Há alguns anos, uma pergunta surgiu de modo inesperado durante o trabalho clínico: por que, de modo geral, as pessoas continuam vivendo em esperança, mesmo quando atravessam circunstâncias que pareceriam anular qualquer perspectiva? Essa pergunta não nasceu de uma agenda teórica prévia, nasceu de uma estranheza genuína diante do que eu observava repetidamente no consultório, em pessoas deprimidas, ansiosas, enlutadas, exaustas, traídas, adoecidas pelo trabalho ou feridas por relações que perderam sustentação.

Vejo nos meus atendimentos que, mesmo quando alguém chega dizendo que perdeu a direção, há algo que a trouxe até ali. Às vezes é muito pouco, quase nada em aparência: uma mensagem enviada, uma sessão marcada, uma ligação atendida, um relato interrompido por choro, uma tentativa de explicar o que já parece inexplicável. Ainda assim, esse mínimo importa. Ele mostra que a pessoa pode estar profundamente abatida e, ao mesmo tempo, conservar alguma abertura para o que ainda pode ser cuidado.

A pessoa pode estar sem ânimo e ainda assim buscar cuidado

Na minha experiência clínica, essa busca não aparece como discurso bonito. Quem procura psicoterapia raramente diz que veio porque tem esperança. A pessoa costuma falar de insônia, ansiedade, depressão, crise amorosa, culpa, medo, irritação, cansaço, perda de sentido, dificuldade de trabalhar ou de continuar vivendo como antes. É no meio dessas queixas concretas que percebo algo mais discreto: a pessoa sofre, mas ainda procura uma forma menos dolorosa de existir.

Esse ponto me parece decisivo. A esperança clínica não é a certeza de que tudo ficará bem, nem uma disposição alegre exigida de fora. Ela pode existir de modo mínimo, frágil, quase escondido, como uma pequena inclinação para o cuidado. Em alguns casos, observo que a pessoa diz não acreditar em melhora, mas comparece, fala, pensa, se irrita, volta, discorda, pergunta. Esse movimento, mesmo contraditório, já revela que algo nela ainda não se entregou inteiramente ao fechamento da vida.

O que chamo de esperancialidade na experiência humana

Uma palavra para não confundir esperança com otimismo fácil

Foi nesse percurso que passei a usar a palavra esperancialidade. Não uso esse termo para tornar o assunto mais difícil, uso porque ele me ajuda a separar esperança de otimismo superficial, de frases animadas e de exigências sociais que mandam a pessoa reagir como se sofrer fosse falha moral. Prefiro compreender a esperancialidade como uma condição mais profunda do viver, uma possibilidade de continuar voltado para algo que ainda possa vir, mesmo quando a saída imediata não aparece.

A esperancialidade, assim entendida, não é um sentimento que se liga e desliga conforme a vontade. Ela se mostra quando a pessoa ainda consegue permanecer em relação com algum futuro possível, por menor que seja. Pode ser o futuro de atravessar uma semana difícil, de retomar um tratamento, de organizar um dia, de aceitar ajuda, de conversar com alguém, de suportar uma perda sem transformar a dor presente em destino absoluto. Em termos clínicos, isso tem enorme importância.

O não consciente e a direção que a pessoa ainda não entende

Muitas vezes, esse movimento não está plenamente claro para a própria pessoa. Chamo aqui de não consciente esse campo de sentidos que atua antes da explicação racional, influenciando o modo como alguém sente, evita, repete, teme ou procura algo. A pessoa pode dizer que não sabe por que marcou uma sessão, por que voltou a falar de si, por que ainda tenta compreender o que viveu. Ainda assim, seu gesto já aponta para uma direção.

O não consciente pode sustentar uma abertura, mas também pode estreitar a vida. Uma pessoa ferida por uma traição, por exemplo, pode passar a se proteger de qualquer vínculo, interpretando toda aproximação como risco. Ela talvez diga que apenas aprendeu a se cuidar, porém seu cotidiano mostra um fechamento que empobrece suas possibilidades. Nesses casos, a clínica procura escutar tanto o sofrimento atual quanto o modo antigo de defesa que continua decidindo por ela, antes que a reflexão consiga alcançar.

Preferibilidade: aquilo que orienta a escolha pelo que parece melhor

Quando o viver procura uma saída menos dolorosa

Hoje, o termo preferibilidade passou a me parecer importante nesse estudo. Ele nomeia aquilo que orienta o lidar humano em direção ao que se apresenta como preferível, mais habitável, mais suportável, mais próximo de uma vida que ainda possa fazer sentido. Não uso a palavra como ornamento conceitual. Uso porque ela ajuda a pensar algo que observo com frequência: mesmo em situações muito difíceis, a pessoa tende a procurar alguma forma de viver menos destruída pelo que aconteceu.

Essa procura pode ser confusa, contraditória e cheia de recuos. A pessoa pode desejar ajuda e resistir ao cuidado, querer mudar e repetir, pedir proximidade e afastar quem se aproxima, reclamar da solidão e temer o vínculo. Em vez de classificar rapidamente essas contradições, prefiro compreendê-las como sinais de uma existência tentando encontrar direção em meio a defesas, perdas, medos e necessidades emocionais que nem sempre se organizam em palavras.

A clínica observa escolhas pequenas, não promessas grandiosas

O que mais marcou minhas décadas de consultório foi perceber que a retomada raramente começa por um gesto grandioso. Muitas vezes ela aparece em algo pequeno: voltar a uma sessão interrompida, tomar banho depois de dias difíceis, organizar uma única manhã, atender uma chamada, aceitar uma consulta psiquiátrica quando necessária, reduzir um excesso, reconhecer uma raiva antiga, admitir uma dependência, retomar uma conversa adiada ou perceber que uma forma de viver já não sustenta mais a pessoa.

Esses gestos pequenos não devem ser tratados como pouca coisa. Para quem está deprimido, ansioso, esgotado ou vivendo uma perda importante, o mínimo pode exigir uma força enorme. Então, entendo que a esperança clínica se constrói também nessas pequenas escolhas, em movimentos discretos que reabrem o campo do possível. Não se trata de prometer um futuro idealizado, trata-se de acompanhar a pessoa enquanto ela recupera alguma possibilidade de se mover em direção ao que lhe parece mais próprio.

Psicoterapia, amadurecimento e retomada do possível

A pessoa sofre no corpo, na história e no cotidiano

Há quem espere da psicoterapia uma fórmula pronta, mas o trabalho clínico costuma pedir outra disposição. A pessoa sofre no pensamento, no corpo, na memória, nos vínculos, na rotina e na maneira como cada manhã se apresenta. Em alguns casos, recursos mais diretos ajudam a reorganizar sono, alimentação, limites de trabalho, compromissos e pequenos atos do cotidiano, porque uma existência muito desorganizada costuma aumentar o sofrimento e reduzir a capacidade de escolha.

Ao mesmo tempo, o cuidado psicológico não pode reduzir a pessoa a hábitos, sintomas ou comportamentos isolados. É preciso escutar a história, o modo como ela amadureceu, o ambiente que encontrou, as rupturas que viveu, as defesas que precisou construir e as formas pelas quais aprendeu a se proteger. De acordo com minha experiência, muitas pessoas não precisam ser empurradas para uma solução, precisam encontrar um espaço suficientemente confiável para poder existir sem se sentir diminuídas.

O cuidado clínico precisa de tempo, confiança e acolhimento

Nessas mais de três décadas de experiência clínica, e também pela minha vivência humana de 59 anos, aprendi a valorizar uma relação terapêutica saudável, horizontal e respeitosa. O consultório precisa permitir confiança, acolhimento e liberdade para falar de temas difíceis sem julgamento moral, religioso, político, racial, corporal, sexual ou social. Incluo aqui o respeito ao público LGBTQIAPN+, a pessoas religiosas, ateias, místicas, a quem usa drogas, a quem vive fora das normas impostas e a quem carrega conflitos que não cabem em categorias simplificadas.

Essa forma de atendimento não é concessão de simpatia, é parte da seriedade clínica. Uma pessoa dificilmente se aproxima de suas dores mais delicadas quando se sente avaliada por valores estreitos. Em uma psicoterapia humanizada, o cuidado se faz também pela possibilidade de a pessoa falar sem medo de ser reduzida a rótulos. O sofrimento humano pede rigor, mas também pede tato, presença, escuta e disponibilidade real para acompanhar o ritmo singular de cada processo.

A menção na Wikipédia e o cuidado com o conhecimento público

Reconhecimento, responsabilidade e linguagem clara

Foi com serenidade que soube da menção ao meu trabalho no contexto da Wikipédia. Recebi isso como um convite a explicar melhor a reflexão que venho desenvolvendo sobre esperança, preferibilidade e experiência clínica. Quando uma ideia nascida do consultório aparece em um espaço público de conhecimento, cresce também a responsabilidade de escrever com precisão, sem transformar sofrimento em frase bonita e sem simplificar demais aquilo que, na vida de uma pessoa, costuma ser delicado e complexo.

A Wikipédia tem um lugar singular na democratização do conhecimento. Muitas pessoas chegam a um tema por ela, depois seguem estudando, conferindo fontes, comparando perspectivas, discordando e aprofundando. Gosto dessa possibilidade pública de circulação das ideias, desde que ela não substitua o estudo cuidadoso nem transforme a experiência humana em definição apressada. No campo da psicologia clínica, uma palavra só vale quando volta à pessoa concreta, ao modo como ela vive, sofre, espera, escolhe e tenta continuar.

Uma defesa clínica do tema, sem reduzir a pessoa a uma ideia

Minha defesa, neste ensaio, é que a esperança merece ser pensada como algo mais profundo do que expectativa agradável. Ela se aproxima de uma orientação humana para o que ainda pode ser preferível, mesmo quando a pessoa se sente sem força, sem clareza ou sem confiança. Essa orientação pode estar quase apagada, pode aparecer apenas em um gesto mínimo, pode ser sustentada por outra pessoa durante certo tempo, mas, quando encontra acolhimento suficiente, pode voltar a compor uma vida mais própria.

Agradeço aos colegas e leitores que reconheceram a relevância dessa contribuição ao lado de outros estudos e pensadores. Recebo esse reconhecimento com cuidado, porque o essencial continua sendo a pessoa concreta, com nome, corpo, história, medo, vínculos, perdas e modo singular de sofrer. A esperança, no sentido clínico que proponho, não é uma promessa lançada sobre alguém, é algo que se reconstrói com a pessoa, devagar, na medida em que ela volta a confiar que pode seguir existindo, escolhendo e encontrando, no horizonte real de sua vida, algo que ainda lhe seja preferível.

Espero Ter Ajudado!