A esperança como combustível para continuar vivendo 1

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post de psicólogo: A esperança como combustível

A esperança como combustível para continuar vivendo 1

A esperança como combustível para continuar vivendo 1

A esperança como combustível para continuar vivendo 1

Bacellart Psicólogo USP Paulista - O ensaio poderá ser reproduzido, desde que citado o autor.

O sentido esperanço (o preferível) como combustível base:

 

 

Quando comparo a esperança como combustível , procuro falar daquilo que pode nos mover em direção ao que ainda importa viver. Uma conversa aguardada, um trabalho que desejamos realizar ou a possibilidade de atravessar uma fase difícil podem participar desse movimento. A imagem ajuda a reconhecer uma experiência cotidiana, embora tenha um limite importante: a vida humana acontece com hesitações, cansaço, contradições e relações que nenhum motor permite compreender por inteiro.

 

Bacellart Psicólogo USP Paulista – O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.

 

O que ainda nos move em um dia difícil

Há dias em que conseguimos dizer com alguma clareza o que esperamos. Queremos recuperar uma relação, concluir um estudo, diminuir uma dor ou encontrar um modo de trabalhar que nos desgaste menos. Em outros momentos, o futuro parece distante demais, e aquilo que ainda mobiliza a pessoa tem uma dimensão muito menor. Pode ser aceitar companhia, preparar uma refeição ou procurar uma conversa em que consiga explicar algo do que está vivendo.

Interessa-me compreender o sentido particular desses gestos. A mesma atividade pode ser vivida como obrigação, hábito, tentativa de alívio ou abertura para algo desejado. Quem observa uma pessoa ocupada não consegue concluir, apenas por isso, que ela está esperançosa. E quem está sofrendo pode continuar fazendo muitas coisas enquanto sente que pouco delas lhe pertence ou lhe oferece uma perspectiva de mudança.

 

A microesperança como uma possibilidade de compreensão

Em minha reflexão, venho empregando a expressão microesperança para investigar movimentos muito discretos em direção a alguma possibilidade de continuidade. Uma pessoa pode dizer que já não espera uma transformação ampla e, ainda assim, desejar que determinado sofrimento diminua ou que uma conversa seja diferente das anteriores. Nessa situação, proponho perguntar o que ela ainda consegue aguardar e o que esse esperar significa para ela.

Essa hipótese precisa acompanhar a experiência da pessoa. Continuar vivendo, levantar da cama ou procurar ajuda não demonstra automaticamente a presença de uma esperança que ela desconhece. Seu relato de desesperança merece ser compreendido na gravidade que possui, inclusive quando as palavras disponíveis parecem insuficientes. A expressão microesperança perde sua utilidade se vira uma maneira de corrigir quem sofre ou de exigir que reconheça uma disposição que não sente.

Apresentei outras dimensões dessa proposta em Psicólogo citado na Wikipédia e o sentido da esperança. Aqui, mantenho a pergunta junto ao cotidiano: que encontro, gesto ou possibilidade ainda pode adquirir importância neste momento particular? Às vezes, compreender a dificuldade de responder já permite que a conversa avance sem cobrar entusiasmo.

 

O sentido preferível amplia essa investigação

Ao desenvolver meus estudos, passei a dar maior atenção ao sentido preferível. Com essa expressão, procuro compreender aquilo que, numa situação concreta, aparece como mais importante, necessário, realizável ou menos insuportável para alguém. Essa orientação pode ocorrer antes de uma explicação consciente e abrange experiências que a palavra esperança, frequentemente associada a otimismo, nem sempre consegue nomear com precisão.

O preferível também pode envolver contradições e consequências prejudiciais. Permanecer numa relação dolorosa pode parecer, naquele momento, mais suportável que enfrentar a separação; evitar uma conversa pode preservar algum alívio imediato enquanto prolonga o problema. Compreender o sentido desse fazer exige considerar a história e as possibilidades daquela pessoa. Não basta classificar uma conduta como escolha ruim e recomendar que ela simplesmente escolha outra.

Desenvolvo essa questão em O ser humano faz o que lhe faz sentido mesmo sem compreender por quê. A esperança pode participar desse campo, sobretudo quando algo desejado permanece possível, mas sentido preferível possui um alcance mais amplo na proposta que venho elaborando.

 

Esperança é como combustível –
Quando o futuro que imaginávamos precisa mudar:

Parte do que compreendemos de nós mesmos acompanha aquilo que esperamos viver. Alguém pode organizar anos em torno de uma profissão, de uma relação ou de uma forma de cuidar da família. Quando esse caminho se interrompe, também pode ficar difícil reconhecer o valor do que foi vivido e encontrar uma direção para o presente. O sofrimento merece tempo e consideração, sem uma obrigação imediata de transformar a perda em aprendizado.

Penso a psicoterapia como um lugar em que essas relações entre passado, presente e futuro podem ser examinadas com a pessoa. O que ainda lhe importa, o que se tornou inviável e o que ela nunca havia considerado podem adquirir outros contornos na conversa e na experiência. Minha pergunta sobre o combustível da esperança permanece ligada a esse viver concreto, em que continuar pode significar, por algum tempo, conseguir atravessar o dia com menos sofrimento e alguma companhia.

Espero Ter Ajudado!