Há 22 anos mantenho consultório próprio na Avenida Paulista, 2001, e continuarei atendendo nesse endereço. Como psicólogo presencial, valorizo a possibilidade de receber cada paciente em um espaço dedicado à psicoterapia, próximo às estações Consolação e Trianon-MASP; aos 59 anos, com 31 anos de clínica, considero precioso esse encontro que participa do amadurecimento afetivo, profissional e da compreensão de si.
Bacellart Psicólogo USP Paulista – O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.
Na minha experiência clínica, dou preferência ao presencial pelo calor humano e pela possibilidade de acompanhar como a conversa acontece entre nós. Escuto o que o paciente consegue contar sobre suas relações e sobre as decisões que precisa tomar, atento às suas expressões e gestos; respeito o que deseja compartilhar e o tempo de que precisa para se sentir à vontade comigo.
Num exemplo hipotético, um paciente se acomoda na poltrona e já percebe maior facilidade para falar, antes de compreender o que favoreceu essa mudança. Reconheço nessa cena a dimensão pré-reflexiva descrita por Merleau-Ponty, a experiência que acontece antes de ser examinada deliberadamente, e procuro escutar o significado que ela assume para quem está sendo atendido.
Vejo nos atendimentos como trabalhar de casa pode tornar o deslocamento menos convidativo, sobretudo diante do trânsito. Para quem mora longe, proponho, quando viável, uma consulta presencial a cada um ou dois meses, com os demais encontros por vídeo; converso sobre essa possibilidade considerando distância, mobilidade e condições clínicas, para que a escolha tenha sentido no acompanhamento.
Reconheço que a psicoterapia online também pode ser eficaz e avalio sua adequação a cada atendimento, com atenção à privacidade e à qualidade da comunicação. Quando a vinda ao consultório fica inviável, podemos manter os encontros por vídeo; minha preferência pelo presencial convive com o compromisso de oferecer um acompanhamento possível, acolhedor e cuidadoso, no qual o paciente participe das decisões e encontre espaço para conversar sobre o que precisa amadurecer.
Próximo de: MASP, Metrô Consolação, Rua Augusta, Shopping Center 3.
Saudade é uma tristeza devido à distância de um ente querido, vivências ou lugar e tem origem no latim. Há uma lenda de que o vocábulo Saudade existe apenas no idioma português, contudo existem similares em outras línguas. Na língua inglesa, uma próxima é Longing, mas me parece que a expressão mais usada é “i miss you”(eu sinto sua falta).
Nostalgia, que guarda certa semelhança com Saudade, diz mais respeito à melancolia/depressão pelo afastamento da terra natal.
É natural, para quem se afastou de experiências familiares (isto inclui tudo que é íntimo, que se conhece, que está adaptado), sinta, em maior ou menor grau: angústia, depressão, falta.
E aqui, não me refiro apenas a pessoas de vínculos afetivos fortes, o clima e as praias. Mas também a coisas “bobinhas” como guaraná, pão de queijo ou o famoso “jeitinho brasileiro”.
Mesmo estando em nossa pátria, O ‘estranho’ é o ‘estrangeiro’, é esse quem nos causa incômodo. Aqui me refiro a qualquer coisa que possa causar medo, desconforto, perturbação no seu mundo pessoal. Por exemplo uma pessoa que, devido à sua cultura, coma cachorro. Em um mundo cada vez mais diversificado culturalmente, já vi estranheza de Parisiense em relação à pessoa ao lado, que pelo sotaque denotava ser do sul do país.
Somemos saudade/nostalgia e estranheza: Há também a chateação pela falta do sentir-se à vontade no que é comum desde criança, aquele sentimento do ‘estar em casa’! Na filosofia existencial, uma das formas de entender a angústia (vazio, falta de sentido) é a estranheza por sentir-se ‘fora de casa’.
Atualmente, ao menos no Brasil, sobretudo no mundo corporativo, a palavra Resiliência ganhou destaque devido à capacidade de adaptabilidade do indivíduo. O exemplo mais comum, é o do bambu, que mesmo rígido; se enverga numa forte ventania e depois retorna ao ponto original.
Quanto maior a maturidade da pessoa, mais naturalmente ela se adapta às condições adversas; saudade/estranheza, não apenas por morar em local distante da terra natal, mas para tudo; relação afetiva, profissão, filho, saúde, questão financeira, saber envelhecer, etc.
Estar disposto ao desenvolvimento pessoal (todos temos pontos não tão bem amadurecidos), é um grande passo.
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Estações próximas: Metrô Consolação Trianon MASP.