Psicólogo Heideggeriano Daseinsanalyse Terapia Bacellart PUCSP

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Bacellart

Psicólogo Experiência USP Av Paulista Presencial ou Online

Imagem de Psicólogo Heideggeriano Daseinsanalyse, fenomenologia existencial

Psicólogo Heideggeriano Daseinsanalyse Terapia Bacellart PUCSP

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Bacellart Psicólogo USP Paulista - O ensaio poderá ser reproduzido, desde que citado o autor.

Psicólogo Fenomenologia Existencial

Daseinsanalyse, análise do Dasein

A psicoterapia fenomenológica existencial que compartilho tem seu fundamento principal na Daseinsanalyse, análise do existir humano inspirada na fenomenologia de Heidegger e posteriormente desenvolvida no campo clínico. Em mais de três décadas de atendimento, compreendo a proposta fenomenológica como um esforço contínuo de abertura para aquilo que se apresenta no encontro, procurando evitar que explicações previamente escolhidas ocupem depressa o lugar daquele ser humano singular que veio buscar ajuda. Quem chega ao consultório traz uma história que já está acontecendo, vínculos, perdas, escolhas, afetos, receios, possibilidades e modos próprios de compreender o mundo; meu trabalho começa por acompanhar essa singularidade, para que a experiência possa ser compreendida a partir de como efetivamente aparece naquele existir.

Bacellart Psicólogo USP Paulista – O ensaio pode ser reproduzido, desde que citado o autor.

 

Estar em abertura exige mais do que evitar rótulos

Compreender antes de encaixar

Não considero possível que um psicólogo chegue vazio a um encontro clínico, como se pudesse apagar sua formação, sua história, aquilo que estudou e tudo o que aprendeu durante décadas de trabalho. A própria fenomenologia hermenêutica mostra que toda compreensão já parte de alguma compreensão anterior. O exercício que procuro realizar consiste em impedir que aquilo que já conheço determine antecipadamente quem está diante de mim. Um diagnóstico pode ter utilidade em determinadas circunstâncias, uma teoria pode orientar parte da escuta e a experiência acumulada certamente participa do atendimento, porém nenhum desses elementos deveria encerrar previamente o significado do que aquele ser humano está vivendo.

Na minha experiência clínica, compreender alguém depende menos de colecionar explicações sobre ele e muito mais de conseguir acompanhar como seu mundo se organiza, quais possibilidades aparecem como acessíveis, quais parecem bloqueadas, de que maneira os outros participam de sua existência e como ele próprio compreende aquilo que lhe acontece. Um pai com pouca escolaridade, mas presente durante muitos anos na criação da filha, pode conhecê-la com uma profundidade que outro pai, intelectualmente sofisticado e pouco participante, jamais alcançou. O conhecimento acadêmico é importante no meu trabalho, mas jamais substitui convivência, atenção, vínculo e capacidade de rever uma interpretação quando aquele encontro mostra algo diferente.

 

O olhar fenomenológico sobre o existir

O ontológico e aquilo que acontece concretamente

Quando recorro a Heidegger, considero importante preservar uma distinção fundamental. O ontológico diz respeito às estruturas que tornam possível o existir humano enquanto tal, como temporalidade, ser no mundo, ser com os outros, compreensão, disposição afetiva, finitude e Sorge, cuidado. Essas estruturas não são positivas nem negativas, saudáveis ou prejudiciais. O ôntico refere-se ao modo concreto como cada ser humano vive essas condições, com sua história, seus vínculos, suas dificuldades, seus projetos e as maneiras particulares pelas quais lida com aquilo que lhe acontece.

Na psicoterapia trabalho principalmente nesse plano concreto, embora iluminado pela analítica existencial. A temporalidade, por exemplo, aparece quando acompanho alguém cujo passado continua participando de suas escolhas atuais, enquanto expectativas relacionadas ao porvir já modificam seu presente. O ser com os outros comparece nas relações amorosas, familiares, profissionais e sociais, inclusive quando alguém procura afastar-se dessas relações. A finitude pode aparecer numa doença, numa perda, no envelhecimento ou simplesmente na percepção de que nenhum de nós dispõe de tempo ilimitado. Esses conceitos ganham valor clínico quando ajudam a compreender o modo singular como determinado acontecente está existindo.

 

Aquilo que ainda não compreendo de mim mesmo

O não consciente fenomenológico e o pré-reflexivo

Vejo nos atendimentos situações em que alguém repete escolhas, aproximações, afastamentos e modos de responder aos outros sem compreender suficientemente aquilo que orienta esse acontecer. Utilizo algumas vezes a expressão “não consciente fenomenológico” no sentido linguístico de algo de si mesmo que permanece velado para si mesmo, evitando confundi-la com o inconsciente das teorias psicanalíticas tradicionais. Um paciente pode perceber somente depois de bastante tempo que procura repetidamente aprovação de figuras exigentes, embora durante anos tenha explicado seus relacionamentos de outras maneiras. Aquela orientação já participava de seu existir antes que pudesse reconhecê-la com maior clareza.

Merleau-Ponty ajuda-me a compreender outra dimensão desse fenômeno quando descreve o pré-reflexivo, aquilo que já acontece antes de qualquer exame deliberado. O corpo percebe proximidade, ameaça, acolhimento ou desconforto e responde antes que uma explicação organizada apareça. Uma postura muda, a respiração se altera, alguém se aproxima ou recua, determinada situação parece imediatamente familiar ou estranha. Não interpreto cada gesto como mensagem secreta a ser decifrada; procuro compreender como essas manifestações participam da história e do modo de estar no mundo daquele ser humano.

 

A relação terapêutica participa do cuidado

Aproximações com Winnicott e o humanismo

Em alguns casos observo que compreender intelectualmente uma dificuldade ainda representa muito pouco diante daquilo que o paciente necessita naquele momento. Há ocasiões em que posso me debruçar demoradamente sobre sua história, seus vínculos, suas escolhas e modos de compreender a si mesmo; em outras, considero prioritário oferecer sustentação clínica, acolhimento e continuidade suficientemente confiáveis para atravessar determinada fase de seu existir. É nesse ponto que minha inspiração fenomenológica encontra aproximações importantes com Winnicott, mantendo as diferenças entre as perspectivas e evitando transformar autores distintos numa teoria única.

Compreendo a psicoterapia como uma relação entre dois seres humanos que ocupam funções diferentes durante o atendimento, procurando manter respeito, confiança e suficiente horizontalidade. Não espero que quem me procura se adapte aos meus valores políticos, religiosos, afetivos ou sociais. Orientação afetiva, identidade de gênero, aparência corporal, religião, experiências místicas, ateísmo, posição política, uso de drogas ou maneiras pouco convencionais de organizar o próprio existir não constituem, para mim, fundamentos para julgamento moral. Interessa-me compreender como essas experiências participam daquela existência e quais consequências produzem para si mesmo, para suas relações e para aquilo que procura realizar.

 

Uma psicoterapia sem um modelo obrigatório de adulto

O amadurecimento ocorre de maneiras singulares

Não trabalho com um modelo segundo o qual todo adulto deveria alcançar o mesmo tipo de personalidade, os mesmos projetos ou uma forma previamente estabelecida de maturidade. Winnicott mostrou, em outro registro teórico, como o amadurecimento depende da relação entre potencialidades e condições ambientais, enquanto a fenomenologia me ajuda a acompanhar o caráter histórico e singular de cada existir. O processo terapêutico vai se desenvolvendo conforme a confiança construída, aquilo que começa a aparecer durante os encontros e até onde cada paciente consegue e deseja avançar naquele momento.

Algumas mudanças podem envolver maior compreensão de si mesmo, ampliação de possibilidades, retomada de projetos, transformações nos vínculos ou um modo menos perturbador de lidar com situações que continuarão pertencendo à sua história. Crescer, nesse sentido, não significa aproximar-se de um padrão psicológico que considero superior. Significa poder ampliar a intimidade consigo mesmo, compreender melhor aquilo que o orienta, reconhecer limites e possibilidades e encontrar maneiras mais habitáveis de continuar seu existir.

 

O encontro presencial e a psicoterapia online

A proximidade humana continua tendo importância

O contato humano é precioso e participa do desenvolvimento afetivo, profissional e da compreensão de si mesmo. Por essa razão continuo preferindo o atendimento presencial quando ele é viável. Estar na mesma sala permite compartilhar uma situação concreta de encontro, perceber mudanças de postura, expressões, modos de chegar, permanecer e se relacionar comigo, aspectos que também fazem parte da comunicação humana. O próprio encontro presencial pode adquirir importância terapêutica ao longo do vínculo, principalmente quando existe confiança suficiente para que o paciente possa comparecer sem sentir necessidade de desempenhar determinado papel diante do psicólogo.

Os atendimentos por vídeo também funcionam e ampliaram muito as possibilidades de continuidade da psicoterapia, sobretudo para quem mora longe, viaja, trabalha em casa ou possui horários pouco compatíveis com deslocamentos frequentes. Percebo, porém, que o conforto adquirido com as consultas online algumas vezes transforma qualquer deslocamento em algo pouco atraente, especialmente numa cidade com trânsito intenso. Para quem vive distante, costumo sugerir, quando possível, um encontro presencial a cada um ou dois meses, mantendo os demais por vídeo. Não estabeleço isso como regra rígida; conversamos sobre o que faz sentido para aquele acompanhamento.

 

Meu modo de compreender a psicoterapia fenomenológica existencial

Depois de 31 anos atendendo, continuo compreendendo a psicoterapia fenomenológica existencial como um trabalho exigente de proximidade, estudo e abertura, no qual experiência clínica e disponibilidade para rever compreensões precisam permanecer juntas. Heidegger oferece uma compreensão profunda das condições do existir, a Daseinsanalyse aproximou esse pensamento do atendimento clínico, Winnicott amplia minha compreensão sobre amadurecimento, confiabilidade e sustentação, enquanto Merleau-Ponty chama atenção para uma dimensão pré-reflexiva e corporal que permanece durante todo o existir.

Nenhum desses autores, isoladamente, conhece o ser humano concreto que chega ao meu consultório. A teoria ajuda quando permanece a serviço da compreensão daquele acontecente singular e perde sua função quando passa a obrigá-lo a caber em categorias que já estavam prontas antes do encontro. É por isso que continuo considerando a abertura uma exigência clínica fundamental: estudar muito, acumular experiência durante décadas e, ainda assim, permitir que determinado ser humano possa mostrar algo que eu ainda não havia compreendido.

 

Sugiro refletir com calma, esse tema, ele vai ser importante em várias situações do seu viver, para sempre.

Espero Ter Ajudado!